Filosofando
segunda-feira, 26 de março de 2012
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
as filosofias politicas
A arte ou ciência de governar
Antonio Carlos Olivieri*
Da Página 3 Pedagogia & Comunicação
Você sabia que quem não se interessa por política, acaba sendo governado por aqueles que se interessam? É isso mesmo. As decisões do governo de um país dizem respeito diretamente a todos aqueles que vivem ali. Delas dependem, por exemplo, o preço das coisas, a qualidade das escolas, dos hospitais e dos medicamentos, e até a possibilidade de acessar livremente a Internet - o que os chineses estão proibidos de fazer pelo governo comunista de Pequim.
Levando em consideração o fato de a política interferir na vida de todos nós, é fácil concluir que não é conveniente para ninguém ser completamente ignorante em matéria de política. Para compreender bem a questão, entretanto, é necessário recorrer aos estudos históricos, pois as atividades políticas são tão antigas quanto a própria humanidade.
Um pouco de filosofia
A palavra política deriva do grego "politikós", adjetivo que significa tudo o que se refere à cidade (em grego, "pólis"). Mas o conceito de "pólis" é mais abrangente do que o nosso conceito de município. Na Grécia antiga, entre os séculos 8 e 6 a.C, surgiram as "pólis", que eram, ao mesmo tempo, a cidade e o território agropastoril em seus arredores, que formavam uma unidade administrativa autônoma e independente: uma cidade-Estado, quase como um país nos dias de hoje. Atenas e Esparta são as cidades-Estado mais famosas da Antiguidade grega.
De qualquer modo, inicialmente, a expressão política referia-se a tudo que é urbano, civil, público. O significado do termo, porém, expandiu-se graças à influência de uma obra do filósofo Aristóteles (384-322 a.C), intitulada Política. Nela, o filósofo desenvolveu o primeiro tratado sobre a natureza, funções e divisão do Estado - ou seja, o conjunto das instituições que controlam e administram um país - e sobre as várias formas de governo.
Política, então, passou a designar a arte ou ciência do governo, isto é, a reflexão sobre essas questões, seja para descrevê-las com objetividade, seja para estabelecer as normas que devem orientá-la. Durante séculos, o termo passou a ser usado para designar obras dedicadas ao estudo das atividades humanas que de algum modo se refere ao Estado. Entretanto, nos dias de hoje, ele perdeu seu significado original, que foi gradativamente substituído por outras expressões, como "ciência política", "filosofia política", "ciência do Estado", "teoria do Estado", etc. Política passou a designar mais as atividades, as práticas relacionadas ao exercício do poder de Estado.
Política e poder
Entendido como forma de atividade ou de prática humana, o conceito de política, está estreitamente ligado ao conceito de poder. O filósofo britânico Bertrand Russell (1872-1970) define o poder como "o conjunto dos meios que permitem alcançar os efeitos desejados". Um desses meios é o domínio do ser humano sobre a natureza. Outro é o domínio de alguns homens sobre outros homens.
Neste último sentido, podemos ampliar o conceito de poder definindo-o como uma relação entre dois sujeitos, dos quais um impõe a sua própria vontade ao outro, determina-lhe a maneira de se comportar. O domínio sobre os homens, contudo, não é geralmente um fim em si mesmo. De acordo com Russell, trata-se de um meio para obter "alguma vantagem".
Está claro que o poder político pertence à categoria do poder do homem sobre o outro homem (e não sobre a natureza). Essa relação de poder pode ser expressa de mil maneiras, como a relação entre governantes e governados, entre soberanos e súditos, entre Estado e cidadãos, etc. Porém, é importante ressaltar que há várias formas de poder do homem sobre o homem e que o poder político é apenas uma delas.
Dinheiro, ciência e armas
É possível distinguir três grandes tipos de poder do homem sobre o homem. Para começar, há o poder econômico, exercido quando alguém se vale da posse de certos bens para levar aqueles que não os possuem a um certo tipo de comportamento, que, em geral, é a realização de algum tipo de trabalho. Evidentemente, esse é o poder que o patrão exerce sobre os seus empregados.
Mas há também o poder ideológico, o poder das ideias, do saber, do conhecimento, que permite o domínio sobre a natureza. Esse poder tem sido exercido pelos "sábios" ao longo da história. Nas sociedades primitivas, eram os sacerdotes. Nas sociedades contemporâneas, são os intelectuais ou cientistas. Pense, por exemplo, no poder que um médico pode exercer sobre o seu paciente, já que dispõe do conhecimento necessário para lhe devolver a saúde.
Finalmente, existe o poder político, que se baseia na posse dos instrumentos mediante os quais se exerce a força física (as armas e toda espécie de potência): é o poder de coação, no sentido mais estrito da palavra. Exemplo: se alguém desobedecer a uma determinada lei, o governo tem poder para ordenar a sua prisão por policiais. Em caso de resistência, os policiais têm até o direito de usar suas armas.
Poder político é o poder supremo
Por se tratar de um poder cujo meio específico é a força, o poder político é o poder supremo, ao qual os demais estão subordinados. Embora o uso da força seja o elemento que distingue o poder político dos demais, esse uso é uma condição necessária, mas não suficiente, para tornar a sua existência legítima. Não é qualquer grupo social em condições de usar a força - como os narcotraficantes, por exemplo - que exerce o poder político.
O poder político conta com a concordância de toda a sociedade para usar a força, para ter o seu monopólio, inclusive com o direito de incriminar e punir todos os atos de violência que não sejam executados por pessoas autorizadas.
Isso se torna mais claro quando se pensa na execução de alguém que cometeu um assassinato, nos países onde há pena de morte. Nesses lugares, o Estado tem o direito de tirar a vida de um cidadão para puni-lo por seu crime - embora esse direito seja cada vez mais questionado pela sociedade e pelos cientistas jurídicos.
Limites do poder político
Além da exclusividade do uso da força, ainda podem ser apontadas como características do poder político: a universalidade, ou seja, a capacidade de tomar decisões que valham para toda a coletividade, no que se refere à distribuição e destinação dos recursos (naturais, humanos e econômicos) no seu território; e a inclusividade, isto é, a possibilidade de intervir em todas as esferas de atividade do grupo e de encaminhar essa atividade ao fim desejado, por meio das leis, ou seja, as normas ou regras destinadas a todo o grupo.
Isso não quer dizer, todavia, que o poder político não tenha limites, mas estes variam de acordo com o tipo de Estado. O Estado socialista, por exemplo, estende seu poder à esfera econômica e planeja como a economia deve caminhar. Já o Estado liberal clássico (capitalista) não aceita a intervenção nessa área, deixando que a economia seja regulada por suas próprias necessidades e características peculiares.
No Estado totalitário, como as ditaduras, o poder político se intromete em qualquer campo da atividade humana. Entre 1922 e 1943, na Itália, a ditadura fascista de Benito Mussolini chegava a dar prêmios a casais que tivessem muitos filhos, pois estavam gerando cidadãos para servir ao Estado.
Objetivo da política
Por fim, é conveniente lembrar que até agora tratou-se dos meios da política. Mas ela também tem um objetivo, uma meta, uma finalidade. Uma finalidade mínima e básica, que é comum a toda e qualquer atividade política: a ordem pública nas relações internas do país e a defesa da integridade nacional nas relações exteriores, de um Estado com os outros Estados.
Esta é a finalidade mínima porque é a condição essencial para a obtenção de todos os demais fins (desenvolvimento econômico, segurança e saúde, educação, etc.) que, generalizando, devem garantir o bem-estar do povo. Até mesmo o partido que subverte a ordem não faz isso como um objetivo final, mas como fator necessário à mudança da ordem existente e a criação de uma nova ordem.
http://educacao.uol.com.br/filosofia/politica-a-arte-ou-ciencia-de-governar.jhtm
Antonio Carlos Olivieri*
Da Página 3 Pedagogia & Comunicação
Você sabia que quem não se interessa por política, acaba sendo governado por aqueles que se interessam? É isso mesmo. As decisões do governo de um país dizem respeito diretamente a todos aqueles que vivem ali. Delas dependem, por exemplo, o preço das coisas, a qualidade das escolas, dos hospitais e dos medicamentos, e até a possibilidade de acessar livremente a Internet - o que os chineses estão proibidos de fazer pelo governo comunista de Pequim.
Levando em consideração o fato de a política interferir na vida de todos nós, é fácil concluir que não é conveniente para ninguém ser completamente ignorante em matéria de política. Para compreender bem a questão, entretanto, é necessário recorrer aos estudos históricos, pois as atividades políticas são tão antigas quanto a própria humanidade.
Um pouco de filosofia
A palavra política deriva do grego "politikós", adjetivo que significa tudo o que se refere à cidade (em grego, "pólis"). Mas o conceito de "pólis" é mais abrangente do que o nosso conceito de município. Na Grécia antiga, entre os séculos 8 e 6 a.C, surgiram as "pólis", que eram, ao mesmo tempo, a cidade e o território agropastoril em seus arredores, que formavam uma unidade administrativa autônoma e independente: uma cidade-Estado, quase como um país nos dias de hoje. Atenas e Esparta são as cidades-Estado mais famosas da Antiguidade grega.
De qualquer modo, inicialmente, a expressão política referia-se a tudo que é urbano, civil, público. O significado do termo, porém, expandiu-se graças à influência de uma obra do filósofo Aristóteles (384-322 a.C), intitulada Política. Nela, o filósofo desenvolveu o primeiro tratado sobre a natureza, funções e divisão do Estado - ou seja, o conjunto das instituições que controlam e administram um país - e sobre as várias formas de governo.
Política, então, passou a designar a arte ou ciência do governo, isto é, a reflexão sobre essas questões, seja para descrevê-las com objetividade, seja para estabelecer as normas que devem orientá-la. Durante séculos, o termo passou a ser usado para designar obras dedicadas ao estudo das atividades humanas que de algum modo se refere ao Estado. Entretanto, nos dias de hoje, ele perdeu seu significado original, que foi gradativamente substituído por outras expressões, como "ciência política", "filosofia política", "ciência do Estado", "teoria do Estado", etc. Política passou a designar mais as atividades, as práticas relacionadas ao exercício do poder de Estado.
Política e poder
Entendido como forma de atividade ou de prática humana, o conceito de política, está estreitamente ligado ao conceito de poder. O filósofo britânico Bertrand Russell (1872-1970) define o poder como "o conjunto dos meios que permitem alcançar os efeitos desejados". Um desses meios é o domínio do ser humano sobre a natureza. Outro é o domínio de alguns homens sobre outros homens.
Neste último sentido, podemos ampliar o conceito de poder definindo-o como uma relação entre dois sujeitos, dos quais um impõe a sua própria vontade ao outro, determina-lhe a maneira de se comportar. O domínio sobre os homens, contudo, não é geralmente um fim em si mesmo. De acordo com Russell, trata-se de um meio para obter "alguma vantagem".
Está claro que o poder político pertence à categoria do poder do homem sobre o outro homem (e não sobre a natureza). Essa relação de poder pode ser expressa de mil maneiras, como a relação entre governantes e governados, entre soberanos e súditos, entre Estado e cidadãos, etc. Porém, é importante ressaltar que há várias formas de poder do homem sobre o homem e que o poder político é apenas uma delas.
Dinheiro, ciência e armas
É possível distinguir três grandes tipos de poder do homem sobre o homem. Para começar, há o poder econômico, exercido quando alguém se vale da posse de certos bens para levar aqueles que não os possuem a um certo tipo de comportamento, que, em geral, é a realização de algum tipo de trabalho. Evidentemente, esse é o poder que o patrão exerce sobre os seus empregados.
Mas há também o poder ideológico, o poder das ideias, do saber, do conhecimento, que permite o domínio sobre a natureza. Esse poder tem sido exercido pelos "sábios" ao longo da história. Nas sociedades primitivas, eram os sacerdotes. Nas sociedades contemporâneas, são os intelectuais ou cientistas. Pense, por exemplo, no poder que um médico pode exercer sobre o seu paciente, já que dispõe do conhecimento necessário para lhe devolver a saúde.
Finalmente, existe o poder político, que se baseia na posse dos instrumentos mediante os quais se exerce a força física (as armas e toda espécie de potência): é o poder de coação, no sentido mais estrito da palavra. Exemplo: se alguém desobedecer a uma determinada lei, o governo tem poder para ordenar a sua prisão por policiais. Em caso de resistência, os policiais têm até o direito de usar suas armas.
Poder político é o poder supremo
Por se tratar de um poder cujo meio específico é a força, o poder político é o poder supremo, ao qual os demais estão subordinados. Embora o uso da força seja o elemento que distingue o poder político dos demais, esse uso é uma condição necessária, mas não suficiente, para tornar a sua existência legítima. Não é qualquer grupo social em condições de usar a força - como os narcotraficantes, por exemplo - que exerce o poder político.
O poder político conta com a concordância de toda a sociedade para usar a força, para ter o seu monopólio, inclusive com o direito de incriminar e punir todos os atos de violência que não sejam executados por pessoas autorizadas.
Isso se torna mais claro quando se pensa na execução de alguém que cometeu um assassinato, nos países onde há pena de morte. Nesses lugares, o Estado tem o direito de tirar a vida de um cidadão para puni-lo por seu crime - embora esse direito seja cada vez mais questionado pela sociedade e pelos cientistas jurídicos.
Limites do poder político
Além da exclusividade do uso da força, ainda podem ser apontadas como características do poder político: a universalidade, ou seja, a capacidade de tomar decisões que valham para toda a coletividade, no que se refere à distribuição e destinação dos recursos (naturais, humanos e econômicos) no seu território; e a inclusividade, isto é, a possibilidade de intervir em todas as esferas de atividade do grupo e de encaminhar essa atividade ao fim desejado, por meio das leis, ou seja, as normas ou regras destinadas a todo o grupo.
Isso não quer dizer, todavia, que o poder político não tenha limites, mas estes variam de acordo com o tipo de Estado. O Estado socialista, por exemplo, estende seu poder à esfera econômica e planeja como a economia deve caminhar. Já o Estado liberal clássico (capitalista) não aceita a intervenção nessa área, deixando que a economia seja regulada por suas próprias necessidades e características peculiares.
No Estado totalitário, como as ditaduras, o poder político se intromete em qualquer campo da atividade humana. Entre 1922 e 1943, na Itália, a ditadura fascista de Benito Mussolini chegava a dar prêmios a casais que tivessem muitos filhos, pois estavam gerando cidadãos para servir ao Estado.
Objetivo da política
Por fim, é conveniente lembrar que até agora tratou-se dos meios da política. Mas ela também tem um objetivo, uma meta, uma finalidade. Uma finalidade mínima e básica, que é comum a toda e qualquer atividade política: a ordem pública nas relações internas do país e a defesa da integridade nacional nas relações exteriores, de um Estado com os outros Estados.
Esta é a finalidade mínima porque é a condição essencial para a obtenção de todos os demais fins (desenvolvimento econômico, segurança e saúde, educação, etc.) que, generalizando, devem garantir o bem-estar do povo. Até mesmo o partido que subverte a ordem não faz isso como um objetivo final, mas como fator necessário à mudança da ordem existente e a criação de uma nova ordem.
http://educacao.uol.com.br/filosofia/politica-a-arte-ou-ciencia-de-governar.jhtm
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
domingo, 18 de setembro de 2011
Letras de música na prova de Ciências Humanas e suas tecnologias
Letras de música na prova de Ciências Humanas e suas tecnologias
A música é uma manifestação cultural que permite conhecer a identidade de um grupo. Ao analisarmos os tipos de instrumentos, os materiais com os quais eles foram confeccionados, a forma de apresentação e até a musicalidade, passamos a conhecer mais sobre a cultura de um determinado local.
Mais do que as músicas e os instrumentos musicais, algumas letras podem ser utilizadas como uma interessante fonte de pesquisa, pois elas apresentam os fatos e o contexto de determinados momentos da história. Algumas letras de Música Popular Brasileira (MPB) também se apresentam como documentos da história do Brasil.
De acordo com a competência de área 1 - compreender os elementos culturais que constituem as identidades - e com a habilidade 1 - interpretar historicamente e/ou geograficamente fontes documentais acerca de aspectos da cultura -, o Enem pode solicitar a leitura e a interpretação de letras de música e a sua associação com contextos ou fatos históricos.
Veja como o Enem já utilizou letras de música na prova de História:
(Enem 2010 - prova rosa -questão 35)
Opinião
Podem me prender
Podem me bater
Podem até deixar-me sem comer
Que eu não mudo de opinião.
Aqui do morro eu não saio não
Aqui do morro eu não saio não.
Se não tem água
Eu furo um poço
Se não tem carne
Eu compro um osso e ponho na sopa
E deixa andar, deixa andar…
Falem de mim
Quem quiser falar
Aqui eu não pago aluguel
Se eu morrer amanhã, seu doutor,
Estou pertinho do céu
ZÉ KETTI. Opinião. Disponível em:.
Acesso em: 28 abr.2010.
Essa música fez parte de um importante espetáculo teatral que estreou no ano de 1964, no Rio de Janeiro. O papel exercido pela Música Popular Brasileira (MPB) nesse contexto, evidenciado pela letra de música citada, foi o de
(A) entretenimento para os grupos intelectuais.
(B) valorização do progresso econômico do país.
(C) crítica à passividade dos setores populares.
X (D) denúncia da situação social e política do país.
(E) mobilização dos setores que apoiavam a Ditadura Militar.
Nessa questão, o candidato deveria ler e interpretar a letra da música e identificar seu objetivo. Caso não fosse possível reconhecer a intenção de denunciar problemas sociais vividos pela população carente na leitura do texto, o aluno poderia fazer o trabalho inverso, isto é, tentar encontrar a alternativa na letra da música. Assim, as alternativas B e E deveriam ser descartadas porque a música não trata do progresso econômico do país nem faz referência ao regime militar. A alternativa C deveria ser eliminada porque o narrador personagem pertence a uma classe popular ou humilde e ele apresenta a sua opinião, ou seja, a classe popular não é passiva. Para descartar a alternativa A e marcar a D, seria preciso saber que as músicas servem não apenas para entreter, mas também para denunciar.
(Enem 2005 - prova amarela - questão 56)
Leia estes textos.
Texto 1
(QUINO. O mundo da Mafalda. São Paulo: Martins Fontes, 1999. p. 3)
Texto 2
Sonho Impossível
Sonhar
Mais um sonho impossível
Lutar
Quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo
Cravar esse chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão.
(J. Darione - M. Leigh - Versão de Chico Buarque de Hollanda e Ruy Guerra, 1972.)
A tirinha e a canção apresentam uma reflexão sobre o futuro da humanidade. É correto concluir que os dois textos
(A) afirmam que o homem é capaz de alcançar a paz.
(B) concordam que o desarmamento é inatingível.
(C) julgam que o sonho é um desafio invencível.
X (D) têm visões diferentes sobre um possível mundo melhor.
(E) transmitem uma mensagem de otimismo sobre a paz.
Essa questão trata do desarmamento nuclear e dos conflitos bélicos que surgiram no mundo após a Segunda Grande Guerra no contexto da Guerra Fria. Assim, as três primeiras alternativas e a última deveriam ser descartadas por fazerem afirmações que não constam na tirinha ou na letra da música. Para marcar a alternativa D, era preciso identificar a postura otimista da personagem Mafalda e a ideia pessimista do narrador personagem da música, que considera a paz um sonho impossível.
Alguns dos principais momentos da história do Brasil estão descritos ou referenciados em letras de músicas. Propomos este exercício: que tal ler ou ouvir as letras das seguintes músicas e tentar identificar nelas o contexto histórico apresentado?
- Feitiço da Vila - Noel Rosa e Vadico
- O Mestre-sala dos Mares - João Bosco e Aldir Blanc
- Retrato do Velho - Haroldo Lobo e Marino Pinto
- Desordem - Sérgio Brito, Marcelo Fromer e Charles Gavin
Para complementar os seus conhecimentos, que tal conhecer alguns dos principais movimentos musicais do Brasil durante o século XX? Visite o Museu Virtual e saiba um pouco mais sobre a Jovem Guarda, o Tropicalismo, a Bossa Nova, entre outros.
Por Adriana Fortes Ribeiro
Fonte.http://blog.educacional.com.br/blog_do_enem/2011/09/15/letras-de-musica-na-prova-de-ciencias-humanas-e-suas-tecnologias/
A música é uma manifestação cultural que permite conhecer a identidade de um grupo. Ao analisarmos os tipos de instrumentos, os materiais com os quais eles foram confeccionados, a forma de apresentação e até a musicalidade, passamos a conhecer mais sobre a cultura de um determinado local.
Mais do que as músicas e os instrumentos musicais, algumas letras podem ser utilizadas como uma interessante fonte de pesquisa, pois elas apresentam os fatos e o contexto de determinados momentos da história. Algumas letras de Música Popular Brasileira (MPB) também se apresentam como documentos da história do Brasil.
De acordo com a competência de área 1 - compreender os elementos culturais que constituem as identidades - e com a habilidade 1 - interpretar historicamente e/ou geograficamente fontes documentais acerca de aspectos da cultura -, o Enem pode solicitar a leitura e a interpretação de letras de música e a sua associação com contextos ou fatos históricos.
Veja como o Enem já utilizou letras de música na prova de História:
(Enem 2010 - prova rosa -questão 35)
Opinião
Podem me prender
Podem me bater
Podem até deixar-me sem comer
Que eu não mudo de opinião.
Aqui do morro eu não saio não
Aqui do morro eu não saio não.
Se não tem água
Eu furo um poço
Se não tem carne
Eu compro um osso e ponho na sopa
E deixa andar, deixa andar…
Falem de mim
Quem quiser falar
Aqui eu não pago aluguel
Se eu morrer amanhã, seu doutor,
Estou pertinho do céu
ZÉ KETTI. Opinião. Disponível em:
Acesso em: 28 abr.2010.
Essa música fez parte de um importante espetáculo teatral que estreou no ano de 1964, no Rio de Janeiro. O papel exercido pela Música Popular Brasileira (MPB) nesse contexto, evidenciado pela letra de música citada, foi o de
(A) entretenimento para os grupos intelectuais.
(B) valorização do progresso econômico do país.
(C) crítica à passividade dos setores populares.
X (D) denúncia da situação social e política do país.
(E) mobilização dos setores que apoiavam a Ditadura Militar.
Nessa questão, o candidato deveria ler e interpretar a letra da música e identificar seu objetivo. Caso não fosse possível reconhecer a intenção de denunciar problemas sociais vividos pela população carente na leitura do texto, o aluno poderia fazer o trabalho inverso, isto é, tentar encontrar a alternativa na letra da música. Assim, as alternativas B e E deveriam ser descartadas porque a música não trata do progresso econômico do país nem faz referência ao regime militar. A alternativa C deveria ser eliminada porque o narrador personagem pertence a uma classe popular ou humilde e ele apresenta a sua opinião, ou seja, a classe popular não é passiva. Para descartar a alternativa A e marcar a D, seria preciso saber que as músicas servem não apenas para entreter, mas também para denunciar.
(Enem 2005 - prova amarela - questão 56)
Leia estes textos.
Texto 1
(QUINO. O mundo da Mafalda. São Paulo: Martins Fontes, 1999. p. 3)
Texto 2
Sonho Impossível
Sonhar
Mais um sonho impossível
Lutar
Quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo
Cravar esse chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão.
(J. Darione - M. Leigh - Versão de Chico Buarque de Hollanda e Ruy Guerra, 1972.)
A tirinha e a canção apresentam uma reflexão sobre o futuro da humanidade. É correto concluir que os dois textos
(A) afirmam que o homem é capaz de alcançar a paz.
(B) concordam que o desarmamento é inatingível.
(C) julgam que o sonho é um desafio invencível.
X (D) têm visões diferentes sobre um possível mundo melhor.
(E) transmitem uma mensagem de otimismo sobre a paz.
Essa questão trata do desarmamento nuclear e dos conflitos bélicos que surgiram no mundo após a Segunda Grande Guerra no contexto da Guerra Fria. Assim, as três primeiras alternativas e a última deveriam ser descartadas por fazerem afirmações que não constam na tirinha ou na letra da música. Para marcar a alternativa D, era preciso identificar a postura otimista da personagem Mafalda e a ideia pessimista do narrador personagem da música, que considera a paz um sonho impossível.
Alguns dos principais momentos da história do Brasil estão descritos ou referenciados em letras de músicas. Propomos este exercício: que tal ler ou ouvir as letras das seguintes músicas e tentar identificar nelas o contexto histórico apresentado?
- Feitiço da Vila - Noel Rosa e Vadico
- O Mestre-sala dos Mares - João Bosco e Aldir Blanc
- Retrato do Velho - Haroldo Lobo e Marino Pinto
- Desordem - Sérgio Brito, Marcelo Fromer e Charles Gavin
Para complementar os seus conhecimentos, que tal conhecer alguns dos principais movimentos musicais do Brasil durante o século XX? Visite o Museu Virtual e saiba um pouco mais sobre a Jovem Guarda, o Tropicalismo, a Bossa Nova, entre outros.
Por Adriana Fortes Ribeiro
Fonte.http://blog.educacional.com.br/blog_do_enem/2011/09/15/letras-de-musica-na-prova-de-ciencias-humanas-e-suas-tecnologias/
sábado, 17 de setembro de 2011
Gravidez na adolescência: hoje e “antigamente”
Gravidez na adolescência: hoje e “antigamente”
No último dia 31, foi veiculada pela mídia internacional a notícia do “avô mais jovem do Reino Unido”. Um jovem galês de apenas 29 anos teria se tornado avô naquela semana, após sua filha de apenas 14 anos de idade dar à luz uma criança. O pai do bebê também é bastante jovem: tem apenas 15 anos.
Notícias como essa causam certa comoção, pois, mesmo para aqueles que não possuem filhos ainda, não é difícil imaginar que criar uma criança não é tarefa das mais fáceis, sobretudo quando tal tarefa está a cargo de outras duas “crianças”. Mas por que nos consternamos ao imaginar o desafiador destino que aguarda esses jovens, quando nossas “bisas” e “bisos” e até nossos avós casavam-se e tinham seus rebentos em média na mesma faixa etária?
Legenda: Corpo de uma mulher aos nove meses de gestação. Podemos observar as grandes mudanças físicas sofridas pelas gestantes, as quais requerem um organismo biologicamente estruturado. Por isso, dependendo da idade da jovem, a gestação pode ser considerada de risco pelos médicos. Por: Miki Yoshihito. Atribuição CC BY 2.0
Parece um tanto ingênua a indignação de algumas pessoas, que, munidas da eterna rivalidade entre gerações, avaliam com horror e perplexidade uma situação como essa, julgando um absurdo que pessoas tão jovens tenham de encarregar-se da criação de uma criança. Tal indignação não é sem razão: apenas seu fundamento é que está desencontrado.
Na época em que nossos antepassados se casavam e constituíam família cedo, não se tinha a “ideia” de adolescência. Não que as pessoas naquele tempo não fossem adolescentes, no sentido orgânico da palavra; ou seja, não que elas não passassem por aquele período de desenvolvimento do corpo, com crescimento acelerado, mudanças físicas bruscas, produção de hormônios sexuais, etc. Mas a adolescência não existia socialmente. Isso significa que, há algum tempo, ou éramos crianças ou éramos adultos. Não existia esse meio-termo chamado adolescência.
Inclusive, tão logo as meninas tornavam-se biologicamente prontas para ter filhos, aquelas de melhor condição social eram introduzidas na sociedade (e apresentadas a futuros pretendentes) por meio de seu baile de debutante. Assim, a partir daquela celebração elas deixavam de ser vistas socialmente como crianças e passavam a ser consideradas aptas para cuidar de uma casa, do marido e dos filhos, tornando-se mulheres da noite para o dia.
Em praticamente todas as sociedades, sempre foram comuns rituais de passagem por meio dos quais os jovens passam a ser encarados como iguais aos outros adultos de sua comunidade, com os mesmos direitos e deveres que aqueles. Em sociedades tribais, mesmo em dias atuais, é frequente o menino ser submetido a uma prova, como a caça de um animal, para demonstrar ser capaz de cumprir com as responsabilidades e os direitos adquiridos perante seu povo.
No Brasil, os indígenas no Parque do Xingu praticam o ritual da Moça Nova, que tem a finalidade de iniciar a menina-moça à vida adulta. A partir da primeira menstruação, cada menina é conduzida para um local reservado, construído para esse fim, onde permanecerá durante três meses. Longe dos demais, a menina-moça estabelecerá contato apenas com a mãe e com a tia paterna durante esse período e deverá dedicar-se ao aprendizado de afazeres femininos, como a fiação do algodão e o preparo de cestas, redes e esteiras.
Mas o que mudou de lá para cá que torna o fato de alguém ser avô aos 29 anos algo passível de indignação e pena?
Segundo alguns antropólogos, atualmente, na medida em que o tempo de estudo aumenta, adiando a entrada dos jovens no mercado de trabalho, a adolescência está, consequentemente, se ampliando. Nesse sentido, de modo geral, enquanto o adolescente depende economicamente de seus parentes, espera-se dele apenas o cumprimento de seus deveres acadêmicos, muito embora ele seja atendido por muitos dos direitos comuns aos adultos com quem convive. É evidente que há jovens que desde muito cedo têm de trabalhar para ajudar (senão manter) sua família. Mas, de forma geral, os valores preconizados pela sociedade ocidental defendem o compromisso, em primeiro lugar, com o desempenho escolar.
Portanto, em vez de atribuirmos a carga de responsabilidades de uma vida adulta a pessoas que ainda estão se formando intelectual, cultural e emocionalmente, que ainda não dispõem de qualificação técnica para exercer uma atividade profissional necessária para obter seu sustento, em nossa sociedade estendemos o período de cuidados paternos, visando, dessa forma, possibilitar a aquisição de todos esses atributos por esses jovens, de modo a qualificá-los para uma vida adulta, para que esta, de preferência, não seja tão penosa como a daqueles que o proveram.
Assim, quando nos deparamos com notícias como essas, que nos informam sobre elevados índices de gravidez na adolescência em diversos países e sobre casos como o desses jovens galeses, nossa indignação remete ao fato de que eles não precisavam passar pela triste experiência de pular uma importante etapa de seu desenvolvimento humano para assumir tamanha responsabilidade. Não se espera, socialmente, ao contrário de algumas décadas atrás, que esses jovens tenham de assumir um papel para o qual, provavelmente, ainda não estejam preparados.
Legenda: A responsabilidade incumbida aos pais vai além do mero sustento ou da exigência de formação acadêmica dos filhos. Ela se estende à introdução do jovem na sociedade, segundo os hábitos, costumes e valores daquela. Por For the future. Atribuição CC BY-ND 2.0.
Talvez, casos como esse e outros tantos, com base nos valores preconizados em nossa sociedade, sejam uma consequência da descompensada proporção entre direitos e deveres atribuídos aos nossos jovens. Talvez, ao atribuir-lhes maiores responsabilidades sobre suas ações, fizéssemos com que atravessassem essa etapa com o real amadurecimento necessário para enfrentar as adversidades da vida adulta, sem a necessidade de assumi-la de forma “emergencial”. Talvez essa etapa destinada ao crescimento dos nossos jovens não esteja sendo bem aproveitada para a sua instrução e adequação ao papel que deverão desempenhar, consistindo, na realidade, em um prolongamento da infância até os vinte anos de idade.
Por Jaqueline Santos.
Fonte:http://blog.educacional.com.br/blog_sociologia/2011/08/02/gravidez-na-adolescencia-hoje-e-antigamente/#more-414
No último dia 31, foi veiculada pela mídia internacional a notícia do “avô mais jovem do Reino Unido”. Um jovem galês de apenas 29 anos teria se tornado avô naquela semana, após sua filha de apenas 14 anos de idade dar à luz uma criança. O pai do bebê também é bastante jovem: tem apenas 15 anos.
Notícias como essa causam certa comoção, pois, mesmo para aqueles que não possuem filhos ainda, não é difícil imaginar que criar uma criança não é tarefa das mais fáceis, sobretudo quando tal tarefa está a cargo de outras duas “crianças”. Mas por que nos consternamos ao imaginar o desafiador destino que aguarda esses jovens, quando nossas “bisas” e “bisos” e até nossos avós casavam-se e tinham seus rebentos em média na mesma faixa etária?
Legenda: Corpo de uma mulher aos nove meses de gestação. Podemos observar as grandes mudanças físicas sofridas pelas gestantes, as quais requerem um organismo biologicamente estruturado. Por isso, dependendo da idade da jovem, a gestação pode ser considerada de risco pelos médicos. Por: Miki Yoshihito. Atribuição CC BY 2.0
Parece um tanto ingênua a indignação de algumas pessoas, que, munidas da eterna rivalidade entre gerações, avaliam com horror e perplexidade uma situação como essa, julgando um absurdo que pessoas tão jovens tenham de encarregar-se da criação de uma criança. Tal indignação não é sem razão: apenas seu fundamento é que está desencontrado.
Na época em que nossos antepassados se casavam e constituíam família cedo, não se tinha a “ideia” de adolescência. Não que as pessoas naquele tempo não fossem adolescentes, no sentido orgânico da palavra; ou seja, não que elas não passassem por aquele período de desenvolvimento do corpo, com crescimento acelerado, mudanças físicas bruscas, produção de hormônios sexuais, etc. Mas a adolescência não existia socialmente. Isso significa que, há algum tempo, ou éramos crianças ou éramos adultos. Não existia esse meio-termo chamado adolescência.
Inclusive, tão logo as meninas tornavam-se biologicamente prontas para ter filhos, aquelas de melhor condição social eram introduzidas na sociedade (e apresentadas a futuros pretendentes) por meio de seu baile de debutante. Assim, a partir daquela celebração elas deixavam de ser vistas socialmente como crianças e passavam a ser consideradas aptas para cuidar de uma casa, do marido e dos filhos, tornando-se mulheres da noite para o dia.
Em praticamente todas as sociedades, sempre foram comuns rituais de passagem por meio dos quais os jovens passam a ser encarados como iguais aos outros adultos de sua comunidade, com os mesmos direitos e deveres que aqueles. Em sociedades tribais, mesmo em dias atuais, é frequente o menino ser submetido a uma prova, como a caça de um animal, para demonstrar ser capaz de cumprir com as responsabilidades e os direitos adquiridos perante seu povo.
No Brasil, os indígenas no Parque do Xingu praticam o ritual da Moça Nova, que tem a finalidade de iniciar a menina-moça à vida adulta. A partir da primeira menstruação, cada menina é conduzida para um local reservado, construído para esse fim, onde permanecerá durante três meses. Longe dos demais, a menina-moça estabelecerá contato apenas com a mãe e com a tia paterna durante esse período e deverá dedicar-se ao aprendizado de afazeres femininos, como a fiação do algodão e o preparo de cestas, redes e esteiras.
Mas o que mudou de lá para cá que torna o fato de alguém ser avô aos 29 anos algo passível de indignação e pena?
Segundo alguns antropólogos, atualmente, na medida em que o tempo de estudo aumenta, adiando a entrada dos jovens no mercado de trabalho, a adolescência está, consequentemente, se ampliando. Nesse sentido, de modo geral, enquanto o adolescente depende economicamente de seus parentes, espera-se dele apenas o cumprimento de seus deveres acadêmicos, muito embora ele seja atendido por muitos dos direitos comuns aos adultos com quem convive. É evidente que há jovens que desde muito cedo têm de trabalhar para ajudar (senão manter) sua família. Mas, de forma geral, os valores preconizados pela sociedade ocidental defendem o compromisso, em primeiro lugar, com o desempenho escolar.
Portanto, em vez de atribuirmos a carga de responsabilidades de uma vida adulta a pessoas que ainda estão se formando intelectual, cultural e emocionalmente, que ainda não dispõem de qualificação técnica para exercer uma atividade profissional necessária para obter seu sustento, em nossa sociedade estendemos o período de cuidados paternos, visando, dessa forma, possibilitar a aquisição de todos esses atributos por esses jovens, de modo a qualificá-los para uma vida adulta, para que esta, de preferência, não seja tão penosa como a daqueles que o proveram.
Assim, quando nos deparamos com notícias como essas, que nos informam sobre elevados índices de gravidez na adolescência em diversos países e sobre casos como o desses jovens galeses, nossa indignação remete ao fato de que eles não precisavam passar pela triste experiência de pular uma importante etapa de seu desenvolvimento humano para assumir tamanha responsabilidade. Não se espera, socialmente, ao contrário de algumas décadas atrás, que esses jovens tenham de assumir um papel para o qual, provavelmente, ainda não estejam preparados.
Legenda: A responsabilidade incumbida aos pais vai além do mero sustento ou da exigência de formação acadêmica dos filhos. Ela se estende à introdução do jovem na sociedade, segundo os hábitos, costumes e valores daquela. Por For the future. Atribuição CC BY-ND 2.0.
Talvez, casos como esse e outros tantos, com base nos valores preconizados em nossa sociedade, sejam uma consequência da descompensada proporção entre direitos e deveres atribuídos aos nossos jovens. Talvez, ao atribuir-lhes maiores responsabilidades sobre suas ações, fizéssemos com que atravessassem essa etapa com o real amadurecimento necessário para enfrentar as adversidades da vida adulta, sem a necessidade de assumi-la de forma “emergencial”. Talvez essa etapa destinada ao crescimento dos nossos jovens não esteja sendo bem aproveitada para a sua instrução e adequação ao papel que deverão desempenhar, consistindo, na realidade, em um prolongamento da infância até os vinte anos de idade.
Por Jaqueline Santos.
Fonte:http://blog.educacional.com.br/blog_sociologia/2011/08/02/gravidez-na-adolescencia-hoje-e-antigamente/#more-414
Drogas: uma sociedade doente
Drogas: uma sociedade doente
No último sábado, dia 23 de julho, foi amplamente veiculada pela mídia a notícia sobre o falecimento da cantora inglesa Amy Winehouse, o qual ainda não foi esclarecido, mas, devido ao histórico de abuso de drogas e álcool da artista, especula-se que sua morte tenha ocorrido em razão disso.
A história de Amy nos faz lembrar de inúmeros artistas, talentos inegáveis que tiveram a sua vida interrompida em decorrência direta ou indireta do uso de drogas.
Além disso, tal flagelo não é exclusividade da classe artística, sendo cada vez maior o número de famílias que enfrentam a triste realidade de ver alguns de seus entes queridos tragados pelo vício.
Legenda: Região da “Cracolândia”, em São Paulo. Imagem por: Luciana Marinho/CBN. Licenciada pelo CC by 2.0.
Para termos uma ideia, segundo relatório do UNODC (United Nations Office on Drugs and Crime, ou Escritório da Organização das Nações Unidas contra Drogas e Crimes) divulgado em junho de 2011, estima-se que o Brasil apresente em torno de 900 mil usuários de cocaína, o que corresponde a cerca de 0,47% de sua população de 192 milhões de pessoas (dados do IBGE de 2010).
Nosso país tem o maior número de usuários da América do Sul, seguido de outros países com populações menores, como a Argentina, que ocupa o segundo lugar, com cerca de 2,6% de sua população de 40 milhões de habitantes em 2010, usuária de cocaína; Chile, com 2,4% de sua população de aproximadamente 20 milhões de habitantes em 2009; e Uruguai, com 1,4% de sua população (3,4 milhões de habitantes). Ou seja, uma elevada taxa de prevalência do uso de cocaína entre a população geral. Os três países do Cone Sul - Brasil, Argentina, e Chile -, juntos somam dois terços de todos os usuários de cocaína da América do Sul e Central do Caribe. Os países do Caribe somam 7% do total de consumidores da droga, da América Latina, e a América Central, 5%.
Legenda: Percentual de usuários de cocaína por país da América Latina.
No Brasil, em 2008, o número de usuários de cocaína era de 870 mil, o que indica que houve um aumento de 3,45% de consumidores, com base nos dados de 2011 apresentados no relatório. Em toda a América, o Brasil fica atrás apenas dos Estados Unidos, com cerca de 6 milhões de consumidores. Nosso país também apresenta cerca de 600 mil usuários de opiáceos (ópio, morfina e heroína) e aproximadamente três milhões de consumidores de maconha.
Ainda segundo esse relatório, no Brasil, o consumo dessa droga entre pessoas de 12 a 65 anos teria aumentado de 0,4% para 0,7%, no período entre 2001 e 2004 - o equivale a um acréscimo em torno de 75%. O uso no Sudeste é de 3,7% da população adulta da região; e no Sul, de 3,1%. Já nas regiões Norte e Nordeste, o uso de cocaína chega a 1,3% e 1,2%, respectivamente.
Outras drogas, também tiveram aumento em seu consumo, em nosso país: o da maconha subiu de 1% para 2,6% - o maior acréscimo da América Latina no período entre 2001 e 2005, correspondente a cerca de 160%.
A América Latina (incluindo Caribe e América Central) foi responsável por 12% das apreensões globais de maconha em 2006. Em 2008, o Brasil foi líder também nessa categoria, com 167 toneladas apreendidas. Em seguida, estão Bolívia (125t), Colômbia (110t), Argentina (67t), Paraguai (59t) e Jamaica (37t).
Legenda: Gráfico representativo da proporção de drogas utilizadas pela população entre 15 e 64 anos na América Latina. Cerca de 4,5% da população dessa região, na faixa etária mencionada, faz uso dos entorpecentes listados.
Com relação ao uso de drogas injetáveis, em 2008 ele foi observado em 148 países e territórios, representando 95% da população mundial. Foi constatado pelo UNODC que entre 11 milhões e 21 milhões de pessoas no mundo usam esse tipo de entorpecente. China, Estados Unidos, Rússia e Brasil concentram 45% do total de usuários em todo o globo. Além disso, o Brasil figura entre os nove países com maiores índices mundiais de contaminação do vírus HIV - uma posição que não inspira orgulho.
Legenda: Gráfico representativo do número de usuários de drogas na Europa, em relação ao número mundial de pessoas que fazem uso contínuo dessas substâncias.
Quanto ao uso de substâncias do grupo anfetamina, observou-se que entre 2001 e 2005, o Brasil superou os índices anteriores em relação à população geral, passando de 1,5% para 3,2%. Isso representa 0,7% em relação à quantidade de usuários na América Latina. A prevalência anual dessa droga na América do Sul continua próxima à da média mundial, com estimativas entre 0,5% e 0,7% da população entre 15 e 64 anos de idade, ou entre 1,34 e 1,89 milhão de pessoas nessa faixa etária que fizeram uso dessas substâncias no ano anterior.
Legenda: Gráfico representativo do número de usuários de drogas na América do Norte, em relação ao número mundial de pessoas que fazem uso contínuo dessas substâncias.
Já o uso de ecstasy, entre estudantes universitários brasileiros na faixa etária entre 18 e 35 anos, foi de 3,9%, excedendo estimativas do UNODC para populações em geral (em torno de 0,2%), segundo pesquisa nacional feita em 2009.
O uso de opioides (principalmente o uso não médico de opioides de prescrição) na América Latina está estimado entre 0,3% e 0,4% da população adulta, ou entre 850 mil e 940 mil pessoas na faixa etária entre 15 e 64 anos. O Estado Plurinacional da Bolívia (0,6%), Brasil (0,5%) e Chile (0,5%) continuam como países com altas taxas de uso desses medicamentos. Na América Central, a taxa da Costa Rica é maior que a média global (2,8%).
Diante deste triste cenário em que pessoas de todas as idades sofrem em decorrência direta e indireta do consumo de drogas, resta apenas o singelo apelo daqueles que de alguma forma foram vítimas das aterradoras consequências do vício. Talvez seja hora de prestarmos mais atenção ao que eles têm a nos dizer.
Confira, também, na nossa Central de Atualidades, a reportagem sobre a droga Óxi.
Por Jaqueline Santos.
Referências
BRASIL TEM 870 mil usuários de cocaína. O Globo. Disponível em:. Acesso em: 26 jun. 2011.
UNODC - ONU. Relatório mundial sobre as drogas 2011. Disponível em:. Acesso em: 26 jun. 2011.
UCHINAKA, Fabiana. Consumo de maconha no Brasil cresce 160% em 4 anos e é o maior da AL, diz ONU. UOL. Acesso em: 26 jun. 2011.
UNODC - ONU. Relatório Mundial sobre as drogas 2011. Panorama Regional. Disponível em:. Acesso em: 26 jun. 2011.
UNIFESP. Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas. Disponível em:. Acesso em: 26 jun. 2011.
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Prevalência: índice de ocorrência de uma doença em uma dada população, por exemplo.
Opioides: remédios para déficit de atenção, analgésicos, drogas de prescrição médica. Opiáceos: drogas derivadas do ópio, como a heroína e a morfina
Fonte:http://blog.educacional.com.br/blog_sociologia/2011/07/29/drogas-uma-sociedade-doente/
No último sábado, dia 23 de julho, foi amplamente veiculada pela mídia a notícia sobre o falecimento da cantora inglesa Amy Winehouse, o qual ainda não foi esclarecido, mas, devido ao histórico de abuso de drogas e álcool da artista, especula-se que sua morte tenha ocorrido em razão disso.
A história de Amy nos faz lembrar de inúmeros artistas, talentos inegáveis que tiveram a sua vida interrompida em decorrência direta ou indireta do uso de drogas.
Além disso, tal flagelo não é exclusividade da classe artística, sendo cada vez maior o número de famílias que enfrentam a triste realidade de ver alguns de seus entes queridos tragados pelo vício.
Legenda: Região da “Cracolândia”, em São Paulo. Imagem por: Luciana Marinho/CBN. Licenciada pelo CC by 2.0.
Para termos uma ideia, segundo relatório do UNODC (United Nations Office on Drugs and Crime, ou Escritório da Organização das Nações Unidas contra Drogas e Crimes) divulgado em junho de 2011, estima-se que o Brasil apresente em torno de 900 mil usuários de cocaína, o que corresponde a cerca de 0,47% de sua população de 192 milhões de pessoas (dados do IBGE de 2010).
Nosso país tem o maior número de usuários da América do Sul, seguido de outros países com populações menores, como a Argentina, que ocupa o segundo lugar, com cerca de 2,6% de sua população de 40 milhões de habitantes em 2010, usuária de cocaína; Chile, com 2,4% de sua população de aproximadamente 20 milhões de habitantes em 2009; e Uruguai, com 1,4% de sua população (3,4 milhões de habitantes). Ou seja, uma elevada taxa de prevalência do uso de cocaína entre a população geral. Os três países do Cone Sul - Brasil, Argentina, e Chile -, juntos somam dois terços de todos os usuários de cocaína da América do Sul e Central do Caribe. Os países do Caribe somam 7% do total de consumidores da droga, da América Latina, e a América Central, 5%.
Legenda: Percentual de usuários de cocaína por país da América Latina.
No Brasil, em 2008, o número de usuários de cocaína era de 870 mil, o que indica que houve um aumento de 3,45% de consumidores, com base nos dados de 2011 apresentados no relatório. Em toda a América, o Brasil fica atrás apenas dos Estados Unidos, com cerca de 6 milhões de consumidores. Nosso país também apresenta cerca de 600 mil usuários de opiáceos (ópio, morfina e heroína) e aproximadamente três milhões de consumidores de maconha.
Ainda segundo esse relatório, no Brasil, o consumo dessa droga entre pessoas de 12 a 65 anos teria aumentado de 0,4% para 0,7%, no período entre 2001 e 2004 - o equivale a um acréscimo em torno de 75%. O uso no Sudeste é de 3,7% da população adulta da região; e no Sul, de 3,1%. Já nas regiões Norte e Nordeste, o uso de cocaína chega a 1,3% e 1,2%, respectivamente.
Outras drogas, também tiveram aumento em seu consumo, em nosso país: o da maconha subiu de 1% para 2,6% - o maior acréscimo da América Latina no período entre 2001 e 2005, correspondente a cerca de 160%.
A América Latina (incluindo Caribe e América Central) foi responsável por 12% das apreensões globais de maconha em 2006. Em 2008, o Brasil foi líder também nessa categoria, com 167 toneladas apreendidas. Em seguida, estão Bolívia (125t), Colômbia (110t), Argentina (67t), Paraguai (59t) e Jamaica (37t).
Legenda: Gráfico representativo da proporção de drogas utilizadas pela população entre 15 e 64 anos na América Latina. Cerca de 4,5% da população dessa região, na faixa etária mencionada, faz uso dos entorpecentes listados.
Com relação ao uso de drogas injetáveis, em 2008 ele foi observado em 148 países e territórios, representando 95% da população mundial. Foi constatado pelo UNODC que entre 11 milhões e 21 milhões de pessoas no mundo usam esse tipo de entorpecente. China, Estados Unidos, Rússia e Brasil concentram 45% do total de usuários em todo o globo. Além disso, o Brasil figura entre os nove países com maiores índices mundiais de contaminação do vírus HIV - uma posição que não inspira orgulho.
Legenda: Gráfico representativo do número de usuários de drogas na Europa, em relação ao número mundial de pessoas que fazem uso contínuo dessas substâncias.
Quanto ao uso de substâncias do grupo anfetamina, observou-se que entre 2001 e 2005, o Brasil superou os índices anteriores em relação à população geral, passando de 1,5% para 3,2%. Isso representa 0,7% em relação à quantidade de usuários na América Latina. A prevalência anual dessa droga na América do Sul continua próxima à da média mundial, com estimativas entre 0,5% e 0,7% da população entre 15 e 64 anos de idade, ou entre 1,34 e 1,89 milhão de pessoas nessa faixa etária que fizeram uso dessas substâncias no ano anterior.
Legenda: Gráfico representativo do número de usuários de drogas na América do Norte, em relação ao número mundial de pessoas que fazem uso contínuo dessas substâncias.
Já o uso de ecstasy, entre estudantes universitários brasileiros na faixa etária entre 18 e 35 anos, foi de 3,9%, excedendo estimativas do UNODC para populações em geral (em torno de 0,2%), segundo pesquisa nacional feita em 2009.
O uso de opioides (principalmente o uso não médico de opioides de prescrição) na América Latina está estimado entre 0,3% e 0,4% da população adulta, ou entre 850 mil e 940 mil pessoas na faixa etária entre 15 e 64 anos. O Estado Plurinacional da Bolívia (0,6%), Brasil (0,5%) e Chile (0,5%) continuam como países com altas taxas de uso desses medicamentos. Na América Central, a taxa da Costa Rica é maior que a média global (2,8%).
Diante deste triste cenário em que pessoas de todas as idades sofrem em decorrência direta e indireta do consumo de drogas, resta apenas o singelo apelo daqueles que de alguma forma foram vítimas das aterradoras consequências do vício. Talvez seja hora de prestarmos mais atenção ao que eles têm a nos dizer.
Confira, também, na nossa Central de Atualidades, a reportagem sobre a droga Óxi.
Por Jaqueline Santos.
Referências
BRASIL TEM 870 mil usuários de cocaína. O Globo. Disponível em:
UNODC - ONU. Relatório mundial sobre as drogas 2011. Disponível em:
UCHINAKA, Fabiana. Consumo de maconha no Brasil cresce 160% em 4 anos e é o maior da AL, diz ONU. UOL. Acesso em: 26 jun. 2011.
UNODC - ONU. Relatório Mundial sobre as drogas 2011. Panorama Regional. Disponível em:
UNIFESP. Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas. Disponível em:
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Prevalência: índice de ocorrência de uma doença em uma dada população, por exemplo.
Opioides: remédios para déficit de atenção, analgésicos, drogas de prescrição médica. Opiáceos: drogas derivadas do ópio, como a heroína e a morfina
Fonte:http://blog.educacional.com.br/blog_sociologia/2011/07/29/drogas-uma-sociedade-doente/
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