sábado, 17 de setembro de 2011

Drogas: uma sociedade doente

Drogas: uma sociedade doente

No último sábado, dia 23 de julho, foi amplamente veiculada pela mídia a notícia sobre o falecimento da cantora inglesa Amy Winehouse, o qual ainda não foi esclarecido, mas, devido ao histórico de abuso de drogas e álcool da artista, especula-se que sua morte tenha ocorrido em razão disso.

A história de Amy nos faz lembrar de inúmeros artistas, talentos inegáveis que tiveram a sua vida interrompida em decorrência direta ou indireta do uso de drogas.

Além disso, tal flagelo não é exclusividade da classe artística, sendo cada vez maior o número de famílias que enfrentam a triste realidade de ver alguns de seus entes queridos tragados pelo vício.


Legenda: Região da “Cracolândia”, em São Paulo. Imagem por: Luciana Marinho/CBN. Licenciada pelo CC by 2.0.

Para termos uma ideia, segundo relatório do UNODC (United Nations Office on Drugs and Crime, ou Escritório da Organização das Nações Unidas contra Drogas e Crimes) divulgado em junho de 2011, estima-se que o Brasil apresente em torno de 900 mil usuários de cocaína, o que corresponde a cerca de 0,47% de sua população de 192 milhões de pessoas (dados do IBGE de 2010).

Nosso país tem o maior número de usuários da América do Sul, seguido de outros países com populações menores, como a Argentina, que ocupa o segundo lugar, com cerca de 2,6% de sua população de 40 milhões de habitantes em 2010, usuária de cocaína; Chile, com 2,4% de sua população de aproximadamente 20 milhões de habitantes em 2009; e Uruguai, com 1,4% de sua população (3,4 milhões de habitantes). Ou seja, uma elevada taxa de prevalência do uso de cocaína entre a população geral. Os três países do Cone Sul - Brasil, Argentina, e Chile -, juntos somam dois terços de todos os usuários de cocaína da América do Sul e Central do Caribe. Os países do Caribe somam 7% do total de consumidores da droga, da América Latina, e a América Central, 5%.



Legenda: Percentual de usuários de cocaína por país da América Latina.

No Brasil, em 2008, o número de usuários de cocaína era de 870 mil, o que indica que houve um aumento de 3,45% de consumidores, com base nos dados de 2011 apresentados no relatório. Em toda a América, o Brasil fica atrás apenas dos Estados Unidos, com cerca de 6 milhões de consumidores. Nosso país também apresenta cerca de 600 mil usuários de opiáceos (ópio, morfina e heroína) e aproximadamente três milhões de consumidores de maconha.

Ainda segundo esse relatório, no Brasil, o consumo dessa droga entre pessoas de 12 a 65 anos teria aumentado de 0,4% para 0,7%, no período entre 2001 e 2004 - o equivale a um acréscimo em torno de 75%. O uso no Sudeste é de 3,7% da população adulta da região; e no Sul, de 3,1%. Já nas regiões Norte e Nordeste, o uso de cocaína chega a 1,3% e 1,2%, respectivamente.

Outras drogas, também tiveram aumento em seu consumo, em nosso país: o da maconha subiu de 1% para 2,6% - o maior acréscimo da América Latina no período entre 2001 e 2005, correspondente a cerca de 160%.

A América Latina (incluindo Caribe e América Central) foi responsável por 12% das apreensões globais de maconha em 2006. Em 2008, o Brasil foi líder também nessa categoria, com 167 toneladas apreendidas. Em seguida, estão Bolívia (125t), Colômbia (110t), Argentina (67t), Paraguai (59t) e Jamaica (37t).







Legenda: Gráfico representativo da proporção de drogas utilizadas pela população entre 15 e 64 anos na América Latina. Cerca de 4,5% da população dessa região, na faixa etária mencionada, faz uso dos entorpecentes listados.

Com relação ao uso de drogas injetáveis, em 2008 ele foi observado em 148 países e territórios, representando 95% da população mundial. Foi constatado pelo UNODC que entre 11 milhões e 21 milhões de pessoas no mundo usam esse tipo de entorpecente. China, Estados Unidos, Rússia e Brasil concentram 45% do total de usuários em todo o globo. Além disso, o Brasil figura entre os nove países com maiores índices mundiais de contaminação do vírus HIV - uma posição que não inspira orgulho.



Legenda: Gráfico representativo do número de usuários de drogas na Europa, em relação ao número mundial de pessoas que fazem uso contínuo dessas substâncias.

Quanto ao uso de substâncias do grupo anfetamina, observou-se que entre 2001 e 2005, o Brasil superou os índices anteriores em relação à população geral, passando de 1,5% para 3,2%. Isso representa 0,7% em relação à quantidade de usuários na América Latina. A prevalência anual dessa droga na América do Sul continua próxima à da média mundial, com estimativas entre 0,5% e 0,7% da população entre 15 e 64 anos de idade, ou entre 1,34 e 1,89 milhão de pessoas nessa faixa etária que fizeram uso dessas substâncias no ano anterior.



Legenda: Gráfico representativo do número de usuários de drogas na América do Norte, em relação ao número mundial de pessoas que fazem uso contínuo dessas substâncias.

Já o uso de ecstasy, entre estudantes universitários brasileiros na faixa etária entre 18 e 35 anos, foi de 3,9%, excedendo estimativas do UNODC para populações em geral (em torno de 0,2%), segundo pesquisa nacional feita em 2009.

O uso de opioides (principalmente o uso não médico de opioides de prescrição) na América Latina está estimado entre 0,3% e 0,4% da população adulta, ou entre 850 mil e 940 mil pessoas na faixa etária entre 15 e 64 anos. O Estado Plurinacional da Bolívia (0,6%), Brasil (0,5%) e Chile (0,5%) continuam como países com altas taxas de uso desses medicamentos. Na América Central, a taxa da Costa Rica é maior que a média global (2,8%).

Diante deste triste cenário em que pessoas de todas as idades sofrem em decorrência direta e indireta do consumo de drogas, resta apenas o singelo apelo daqueles que de alguma forma foram vítimas das aterradoras consequências do vício. Talvez seja hora de prestarmos mais atenção ao que eles têm a nos dizer.

Confira, também, na nossa Central de Atualidades, a reportagem sobre a droga Óxi.


Por Jaqueline Santos.

Referências

BRASIL TEM 870 mil usuários de cocaína. O Globo. Disponível em: . Acesso em: 26 jun. 2011.

UNODC - ONU. Relatório mundial sobre as drogas 2011. Disponível em: . Acesso em: 26 jun. 2011.

UCHINAKA, Fabiana. Consumo de maconha no Brasil cresce 160% em 4 anos e é o maior da AL, diz ONU. UOL. Acesso em: 26 jun. 2011.

UNODC - ONU. Relatório Mundial sobre as drogas 2011. Panorama Regional. Disponível em: . Acesso em: 26 jun. 2011.

UNIFESP. Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas. Disponível em: . Acesso em: 26 jun. 2011.



--------------------------------------------------------------------------------

Prevalência: índice de ocorrência de uma doença em uma dada população, por exemplo.

Opioides: remédios para déficit de atenção, analgésicos, drogas de prescrição médica. Opiáceos: drogas derivadas do ópio, como a heroína e a morfina


Fonte:http://blog.educacional.com.br/blog_sociologia/2011/07/29/drogas-uma-sociedade-doente/

Nenhum comentário:

Postar um comentário