quarta-feira, 9 de novembro de 2011

as filosofias politicas

A arte ou ciência de governar

Antonio Carlos Olivieri*
Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

Você sabia que quem não se interessa por política, acaba sendo governado por aqueles que se interessam? É isso mesmo. As decisões do governo de um país dizem respeito diretamente a todos aqueles que vivem ali. Delas dependem, por exemplo, o preço das coisas, a qualidade das escolas, dos hospitais e dos medicamentos, e até a possibilidade de acessar livremente a Internet - o que os chineses estão proibidos de fazer pelo governo comunista de Pequim.

Levando em consideração o fato de a política interferir na vida de todos nós, é fácil concluir que não é conveniente para ninguém ser completamente ignorante em matéria de política. Para compreender bem a questão, entretanto, é necessário recorrer aos estudos históricos, pois as atividades políticas são tão antigas quanto a própria humanidade.


Um pouco de filosofia
A palavra política deriva do grego "politikós", adjetivo que significa tudo o que se refere à cidade (em grego, "pólis"). Mas o conceito de "pólis" é mais abrangente do que o nosso conceito de município. Na Grécia antiga, entre os séculos 8 e 6 a.C, surgiram as "pólis", que eram, ao mesmo tempo, a cidade e o território agropastoril em seus arredores, que formavam uma unidade administrativa autônoma e independente: uma cidade-Estado, quase como um país nos dias de hoje. Atenas e Esparta são as cidades-Estado mais famosas da Antiguidade grega.

De qualquer modo, inicialmente, a expressão política referia-se a tudo que é urbano, civil, público. O significado do termo, porém, expandiu-se graças à influência de uma obra do filósofo Aristóteles (384-322 a.C), intitulada Política. Nela, o filósofo desenvolveu o primeiro tratado sobre a natureza, funções e divisão do Estado - ou seja, o conjunto das instituições que controlam e administram um país - e sobre as várias formas de governo.

Política, então, passou a designar a arte ou ciência do governo, isto é, a reflexão sobre essas questões, seja para descrevê-las com objetividade, seja para estabelecer as normas que devem orientá-la. Durante séculos, o termo passou a ser usado para designar obras dedicadas ao estudo das atividades humanas que de algum modo se refere ao Estado. Entretanto, nos dias de hoje, ele perdeu seu significado original, que foi gradativamente substituído por outras expressões, como "ciência política", "filosofia política", "ciência do Estado", "teoria do Estado", etc. Política passou a designar mais as atividades, as práticas relacionadas ao exercício do poder de Estado.


Política e poder
Entendido como forma de atividade ou de prática humana, o conceito de política, está estreitamente ligado ao conceito de poder. O filósofo britânico Bertrand Russell (1872-1970) define o poder como "o conjunto dos meios que permitem alcançar os efeitos desejados". Um desses meios é o domínio do ser humano sobre a natureza. Outro é o domínio de alguns homens sobre outros homens.

Neste último sentido, podemos ampliar o conceito de poder definindo-o como uma relação entre dois sujeitos, dos quais um impõe a sua própria vontade ao outro, determina-lhe a maneira de se comportar. O domínio sobre os homens, contudo, não é geralmente um fim em si mesmo. De acordo com Russell, trata-se de um meio para obter "alguma vantagem".

Está claro que o poder político pertence à categoria do poder do homem sobre o outro homem (e não sobre a natureza). Essa relação de poder pode ser expressa de mil maneiras, como a relação entre governantes e governados, entre soberanos e súditos, entre Estado e cidadãos, etc. Porém, é importante ressaltar que há várias formas de poder do homem sobre o homem e que o poder político é apenas uma delas.


Dinheiro, ciência e armas
É possível distinguir três grandes tipos de poder do homem sobre o homem. Para começar, há o poder econômico, exercido quando alguém se vale da posse de certos bens para levar aqueles que não os possuem a um certo tipo de comportamento, que, em geral, é a realização de algum tipo de trabalho. Evidentemente, esse é o poder que o patrão exerce sobre os seus empregados.

Mas há também o poder ideológico, o poder das ideias, do saber, do conhecimento, que permite o domínio sobre a natureza. Esse poder tem sido exercido pelos "sábios" ao longo da história. Nas sociedades primitivas, eram os sacerdotes. Nas sociedades contemporâneas, são os intelectuais ou cientistas. Pense, por exemplo, no poder que um médico pode exercer sobre o seu paciente, já que dispõe do conhecimento necessário para lhe devolver a saúde.

Finalmente, existe o poder político, que se baseia na posse dos instrumentos mediante os quais se exerce a força física (as armas e toda espécie de potência): é o poder de coação, no sentido mais estrito da palavra. Exemplo: se alguém desobedecer a uma determinada lei, o governo tem poder para ordenar a sua prisão por policiais. Em caso de resistência, os policiais têm até o direito de usar suas armas.


Poder político é o poder supremo
Por se tratar de um poder cujo meio específico é a força, o poder político é o poder supremo, ao qual os demais estão subordinados. Embora o uso da força seja o elemento que distingue o poder político dos demais, esse uso é uma condição necessária, mas não suficiente, para tornar a sua existência legítima. Não é qualquer grupo social em condições de usar a força - como os narcotraficantes, por exemplo - que exerce o poder político.

O poder político conta com a concordância de toda a sociedade para usar a força, para ter o seu monopólio, inclusive com o direito de incriminar e punir todos os atos de violência que não sejam executados por pessoas autorizadas.

Isso se torna mais claro quando se pensa na execução de alguém que cometeu um assassinato, nos países onde há pena de morte. Nesses lugares, o Estado tem o direito de tirar a vida de um cidadão para puni-lo por seu crime - embora esse direito seja cada vez mais questionado pela sociedade e pelos cientistas jurídicos.


Limites do poder político
Além da exclusividade do uso da força, ainda podem ser apontadas como características do poder político: a universalidade, ou seja, a capacidade de tomar decisões que valham para toda a coletividade, no que se refere à distribuição e destinação dos recursos (naturais, humanos e econômicos) no seu território; e a inclusividade, isto é, a possibilidade de intervir em todas as esferas de atividade do grupo e de encaminhar essa atividade ao fim desejado, por meio das leis, ou seja, as normas ou regras destinadas a todo o grupo.

Isso não quer dizer, todavia, que o poder político não tenha limites, mas estes variam de acordo com o tipo de Estado. O Estado socialista, por exemplo, estende seu poder à esfera econômica e planeja como a economia deve caminhar. Já o Estado liberal clássico (capitalista) não aceita a intervenção nessa área, deixando que a economia seja regulada por suas próprias necessidades e características peculiares.

No Estado totalitário, como as ditaduras, o poder político se intromete em qualquer campo da atividade humana. Entre 1922 e 1943, na Itália, a ditadura fascista de Benito Mussolini chegava a dar prêmios a casais que tivessem muitos filhos, pois estavam gerando cidadãos para servir ao Estado.


Objetivo da política
Por fim, é conveniente lembrar que até agora tratou-se dos meios da política. Mas ela também tem um objetivo, uma meta, uma finalidade. Uma finalidade mínima e básica, que é comum a toda e qualquer atividade política: a ordem pública nas relações internas do país e a defesa da integridade nacional nas relações exteriores, de um Estado com os outros Estados.

Esta é a finalidade mínima porque é a condição essencial para a obtenção de todos os demais fins (desenvolvimento econômico, segurança e saúde, educação, etc.) que, generalizando, devem garantir o bem-estar do povo. Até mesmo o partido que subverte a ordem não faz isso como um objetivo final, mas como fator necessário à mudança da ordem existente e a criação de uma nova ordem.

http://educacao.uol.com.br/filosofia/politica-a-arte-ou-ciencia-de-governar.jhtm

domingo, 18 de setembro de 2011

Letras de música na prova de Ciências Humanas e suas tecnologias

Letras de música na prova de Ciências Humanas e suas tecnologias

A música é uma manifestação cultural que permite conhecer a identidade de um grupo. Ao analisarmos os tipos de instrumentos, os materiais com os quais eles foram confeccionados, a forma de apresentação e até a musicalidade, passamos a conhecer mais sobre a cultura de um determinado local.

Mais do que as músicas e os instrumentos musicais, algumas letras podem ser utilizadas como uma interessante fonte de pesquisa, pois elas apresentam os fatos e o contexto de determinados momentos da história. Algumas letras de Música Popular Brasileira (MPB) também se apresentam como documentos da história do Brasil.

De acordo com a competência de área 1 - compreender os elementos culturais que constituem as identidades - e com a habilidade 1 - interpretar historicamente e/ou geograficamente fontes documentais acerca de aspectos da cultura -, o Enem pode solicitar a leitura e a interpretação de letras de música e a sua associação com contextos ou fatos históricos.

Veja como o Enem já utilizou letras de música na prova de História:

(Enem 2010 - prova rosa -questão 35)

Opinião

Podem me prender

Podem me bater

Podem até deixar-me sem comer

Que eu não mudo de opinião.

Aqui do morro eu não saio não

Aqui do morro eu não saio não.

Se não tem água

Eu furo um poço

Se não tem carne

Eu compro um osso e ponho na sopa

E deixa andar, deixa andar…

Falem de mim

Quem quiser falar

Aqui eu não pago aluguel

Se eu morrer amanhã, seu doutor,

Estou pertinho do céu



ZÉ KETTI. Opinião. Disponível em: .

Acesso em: 28 abr.2010.

Essa música fez parte de um importante espetáculo teatral que estreou no ano de 1964, no Rio de Janeiro. O papel exercido pela Música Popular Brasileira (MPB) nesse contexto, evidenciado pela letra de música citada, foi o de

(A) entretenimento para os grupos intelectuais.

(B) valorização do progresso econômico do país.

(C) crítica à passividade dos setores populares.

X (D) denúncia da situação social e política do país.

(E) mobilização dos setores que apoiavam a Ditadura Militar.

Nessa questão, o candidato deveria ler e interpretar a letra da música e identificar seu objetivo. Caso não fosse possível reconhecer a intenção de denunciar problemas sociais vividos pela população carente na leitura do texto, o aluno poderia fazer o trabalho inverso, isto é, tentar encontrar a alternativa na letra da música. Assim, as alternativas B e E deveriam ser descartadas porque a música não trata do progresso econômico do país nem faz referência ao regime militar. A alternativa C deveria ser eliminada porque o narrador personagem pertence a uma classe popular ou humilde e ele apresenta a sua opinião, ou seja, a classe popular não é passiva. Para descartar a alternativa A e marcar a D, seria preciso saber que as músicas servem não apenas para entreter, mas também para denunciar.

(Enem 2005 - prova amarela - questão 56)

Leia estes textos.

Texto 1


(QUINO. O mundo da Mafalda. São Paulo: Martins Fontes, 1999. p. 3)


Texto 2

Sonho Impossível

Sonhar

Mais um sonho impossível

Lutar

Quando é fácil ceder

Vencer o inimigo invencível

Negar quando a regra é vender

Sofrer a tortura implacável

Romper a incabível prisão

Voar num limite improvável

Tocar o inacessível chão

É minha lei, é minha questão

Virar esse mundo

Cravar esse chão

Não me importa saber

Se é terrível demais

Quantas guerras terei que vencer

Por um pouco de paz

E amanhã se esse chão que eu beijei

For meu leito e perdão

Vou saber que valeu delirar

E morrer de paixão

E assim, seja lá como for

Vai ter fim a infinita aflição

E o mundo vai ver uma flor

Brotar do impossível chão.

(J. Darione - M. Leigh - Versão de Chico Buarque de Hollanda e Ruy Guerra, 1972.)



A tirinha e a canção apresentam uma reflexão sobre o futuro da humanidade. É correto concluir que os dois textos

(A) afirmam que o homem é capaz de alcançar a paz.

(B) concordam que o desarmamento é inatingível.

(C) julgam que o sonho é um desafio invencível.

X (D) têm visões diferentes sobre um possível mundo melhor.

(E) transmitem uma mensagem de otimismo sobre a paz.

Essa questão trata do desarmamento nuclear e dos conflitos bélicos que surgiram no mundo após a Segunda Grande Guerra no contexto da Guerra Fria. Assim, as três primeiras alternativas e a última deveriam ser descartadas por fazerem afirmações que não constam na tirinha ou na letra da música. Para marcar a alternativa D, era preciso identificar a postura otimista da personagem Mafalda e a ideia pessimista do narrador personagem da música, que considera a paz um sonho impossível.

Alguns dos principais momentos da história do Brasil estão descritos ou referenciados em letras de músicas. Propomos este exercício: que tal ler ou ouvir as letras das seguintes músicas e tentar identificar nelas o contexto histórico apresentado?

- Feitiço da Vila - Noel Rosa e Vadico

- O Mestre-sala dos Mares - João Bosco e Aldir Blanc

- Retrato do Velho - Haroldo Lobo e Marino Pinto

- Desordem - Sérgio Brito, Marcelo Fromer e Charles Gavin

Para complementar os seus conhecimentos, que tal conhecer alguns dos principais movimentos musicais do Brasil durante o século XX? Visite o Museu Virtual e saiba um pouco mais sobre a Jovem Guarda, o Tropicalismo, a Bossa Nova, entre outros.

Por Adriana Fortes Ribeiro

Fonte.http://blog.educacional.com.br/blog_do_enem/2011/09/15/letras-de-musica-na-prova-de-ciencias-humanas-e-suas-tecnologias/

sábado, 17 de setembro de 2011

Gravidez na adolescência: hoje e “antigamente”

Gravidez na adolescência: hoje e “antigamente”

No último dia 31, foi veiculada pela mídia internacional a notícia do “avô mais jovem do Reino Unido”. Um jovem galês de apenas 29 anos teria se tornado avô naquela semana, após sua filha de apenas 14 anos de idade dar à luz uma criança. O pai do bebê também é bastante jovem: tem apenas 15 anos.
Notícias como essa causam certa comoção, pois, mesmo para aqueles que não possuem filhos ainda, não é difícil imaginar que criar uma criança não é tarefa das mais fáceis, sobretudo quando tal tarefa está a cargo de outras duas “crianças”. Mas por que nos consternamos ao imaginar o desafiador destino que aguarda esses jovens, quando nossas “bisas” e “bisos” e até nossos avós casavam-se e tinham seus rebentos em média na mesma faixa etária?



Legenda: Corpo de uma mulher aos nove meses de gestação. Podemos observar as grandes mudanças físicas sofridas pelas gestantes, as quais requerem um organismo biologicamente estruturado. Por isso, dependendo da idade da jovem, a gestação pode ser considerada de risco pelos médicos. Por: Miki Yoshihito. Atribuição CC BY 2.0

Parece um tanto ingênua a indignação de algumas pessoas, que, munidas da eterna rivalidade entre gerações, avaliam com horror e perplexidade uma situação como essa, julgando um absurdo que pessoas tão jovens tenham de encarregar-se da criação de uma criança. Tal indignação não é sem razão: apenas seu fundamento é que está desencontrado.

Na época em que nossos antepassados se casavam e constituíam família cedo, não se tinha a “ideia” de adolescência. Não que as pessoas naquele tempo não fossem adolescentes, no sentido orgânico da palavra; ou seja, não que elas não passassem por aquele período de desenvolvimento do corpo, com crescimento acelerado, mudanças físicas bruscas, produção de hormônios sexuais, etc. Mas a adolescência não existia socialmente. Isso significa que, há algum tempo, ou éramos crianças ou éramos adultos. Não existia esse meio-termo chamado adolescência.

Inclusive, tão logo as meninas tornavam-se biologicamente prontas para ter filhos, aquelas de melhor condição social eram introduzidas na sociedade (e apresentadas a futuros pretendentes) por meio de seu baile de debutante. Assim, a partir daquela celebração elas deixavam de ser vistas socialmente como crianças e passavam a ser consideradas aptas para cuidar de uma casa, do marido e dos filhos, tornando-se mulheres da noite para o dia.

Em praticamente todas as sociedades, sempre foram comuns rituais de passagem por meio dos quais os jovens passam a ser encarados como iguais aos outros adultos de sua comunidade, com os mesmos direitos e deveres que aqueles. Em sociedades tribais, mesmo em dias atuais, é frequente o menino ser submetido a uma prova, como a caça de um animal, para demonstrar ser capaz de cumprir com as responsabilidades e os direitos adquiridos perante seu povo.

No Brasil, os indígenas no Parque do Xingu praticam o ritual da Moça Nova, que tem a finalidade de iniciar a menina-moça à vida adulta. A partir da primeira menstruação, cada menina é conduzida para um local reservado, construído para esse fim, onde permanecerá durante três meses. Longe dos demais, a menina-moça estabelecerá contato apenas com a mãe e com a tia paterna durante esse período e deverá dedicar-se ao aprendizado de afazeres femininos, como a fiação do algodão e o preparo de cestas, redes e esteiras.

Mas o que mudou de lá para cá que torna o fato de alguém ser avô aos 29 anos algo passível de indignação e pena?

Segundo alguns antropólogos, atualmente, na medida em que o tempo de estudo aumenta, adiando a entrada dos jovens no mercado de trabalho, a adolescência está, consequentemente, se ampliando. Nesse sentido, de modo geral, enquanto o adolescente depende economicamente de seus parentes, espera-se dele apenas o cumprimento de seus deveres acadêmicos, muito embora ele seja atendido por muitos dos direitos comuns aos adultos com quem convive. É evidente que há jovens que desde muito cedo têm de trabalhar para ajudar (senão manter) sua família. Mas, de forma geral, os valores preconizados pela sociedade ocidental defendem o compromisso, em primeiro lugar, com o desempenho escolar.

Portanto, em vez de atribuirmos a carga de responsabilidades de uma vida adulta a pessoas que ainda estão se formando intelectual, cultural e emocionalmente, que ainda não dispõem de qualificação técnica para exercer uma atividade profissional necessária para obter seu sustento, em nossa sociedade estendemos o período de cuidados paternos, visando, dessa forma, possibilitar a aquisição de todos esses atributos por esses jovens, de modo a qualificá-los para uma vida adulta, para que esta, de preferência, não seja tão penosa como a daqueles que o proveram.

Assim, quando nos deparamos com notícias como essas, que nos informam sobre elevados índices de gravidez na adolescência em diversos países e sobre casos como o desses jovens galeses, nossa indignação remete ao fato de que eles não precisavam passar pela triste experiência de pular uma importante etapa de seu desenvolvimento humano para assumir tamanha responsabilidade. Não se espera, socialmente, ao contrário de algumas décadas atrás, que esses jovens tenham de assumir um papel para o qual, provavelmente, ainda não estejam preparados.



Legenda: A responsabilidade incumbida aos pais vai além do mero sustento ou da exigência de formação acadêmica dos filhos. Ela se estende à introdução do jovem na sociedade, segundo os hábitos, costumes e valores daquela. Por For the future. Atribuição CC BY-ND 2.0.

Talvez, casos como esse e outros tantos, com base nos valores preconizados em nossa sociedade, sejam uma consequência da descompensada proporção entre direitos e deveres atribuídos aos nossos jovens. Talvez, ao atribuir-lhes maiores responsabilidades sobre suas ações, fizéssemos com que atravessassem essa etapa com o real amadurecimento necessário para enfrentar as adversidades da vida adulta, sem a necessidade de assumi-la de forma “emergencial”. Talvez essa etapa destinada ao crescimento dos nossos jovens não esteja sendo bem aproveitada para a sua instrução e adequação ao papel que deverão desempenhar, consistindo, na realidade, em um prolongamento da infância até os vinte anos de idade.


Por Jaqueline Santos.

Fonte:http://blog.educacional.com.br/blog_sociologia/2011/08/02/gravidez-na-adolescencia-hoje-e-antigamente/#more-414

Drogas: uma sociedade doente

Drogas: uma sociedade doente

No último sábado, dia 23 de julho, foi amplamente veiculada pela mídia a notícia sobre o falecimento da cantora inglesa Amy Winehouse, o qual ainda não foi esclarecido, mas, devido ao histórico de abuso de drogas e álcool da artista, especula-se que sua morte tenha ocorrido em razão disso.

A história de Amy nos faz lembrar de inúmeros artistas, talentos inegáveis que tiveram a sua vida interrompida em decorrência direta ou indireta do uso de drogas.

Além disso, tal flagelo não é exclusividade da classe artística, sendo cada vez maior o número de famílias que enfrentam a triste realidade de ver alguns de seus entes queridos tragados pelo vício.


Legenda: Região da “Cracolândia”, em São Paulo. Imagem por: Luciana Marinho/CBN. Licenciada pelo CC by 2.0.

Para termos uma ideia, segundo relatório do UNODC (United Nations Office on Drugs and Crime, ou Escritório da Organização das Nações Unidas contra Drogas e Crimes) divulgado em junho de 2011, estima-se que o Brasil apresente em torno de 900 mil usuários de cocaína, o que corresponde a cerca de 0,47% de sua população de 192 milhões de pessoas (dados do IBGE de 2010).

Nosso país tem o maior número de usuários da América do Sul, seguido de outros países com populações menores, como a Argentina, que ocupa o segundo lugar, com cerca de 2,6% de sua população de 40 milhões de habitantes em 2010, usuária de cocaína; Chile, com 2,4% de sua população de aproximadamente 20 milhões de habitantes em 2009; e Uruguai, com 1,4% de sua população (3,4 milhões de habitantes). Ou seja, uma elevada taxa de prevalência do uso de cocaína entre a população geral. Os três países do Cone Sul - Brasil, Argentina, e Chile -, juntos somam dois terços de todos os usuários de cocaína da América do Sul e Central do Caribe. Os países do Caribe somam 7% do total de consumidores da droga, da América Latina, e a América Central, 5%.



Legenda: Percentual de usuários de cocaína por país da América Latina.

No Brasil, em 2008, o número de usuários de cocaína era de 870 mil, o que indica que houve um aumento de 3,45% de consumidores, com base nos dados de 2011 apresentados no relatório. Em toda a América, o Brasil fica atrás apenas dos Estados Unidos, com cerca de 6 milhões de consumidores. Nosso país também apresenta cerca de 600 mil usuários de opiáceos (ópio, morfina e heroína) e aproximadamente três milhões de consumidores de maconha.

Ainda segundo esse relatório, no Brasil, o consumo dessa droga entre pessoas de 12 a 65 anos teria aumentado de 0,4% para 0,7%, no período entre 2001 e 2004 - o equivale a um acréscimo em torno de 75%. O uso no Sudeste é de 3,7% da população adulta da região; e no Sul, de 3,1%. Já nas regiões Norte e Nordeste, o uso de cocaína chega a 1,3% e 1,2%, respectivamente.

Outras drogas, também tiveram aumento em seu consumo, em nosso país: o da maconha subiu de 1% para 2,6% - o maior acréscimo da América Latina no período entre 2001 e 2005, correspondente a cerca de 160%.

A América Latina (incluindo Caribe e América Central) foi responsável por 12% das apreensões globais de maconha em 2006. Em 2008, o Brasil foi líder também nessa categoria, com 167 toneladas apreendidas. Em seguida, estão Bolívia (125t), Colômbia (110t), Argentina (67t), Paraguai (59t) e Jamaica (37t).







Legenda: Gráfico representativo da proporção de drogas utilizadas pela população entre 15 e 64 anos na América Latina. Cerca de 4,5% da população dessa região, na faixa etária mencionada, faz uso dos entorpecentes listados.

Com relação ao uso de drogas injetáveis, em 2008 ele foi observado em 148 países e territórios, representando 95% da população mundial. Foi constatado pelo UNODC que entre 11 milhões e 21 milhões de pessoas no mundo usam esse tipo de entorpecente. China, Estados Unidos, Rússia e Brasil concentram 45% do total de usuários em todo o globo. Além disso, o Brasil figura entre os nove países com maiores índices mundiais de contaminação do vírus HIV - uma posição que não inspira orgulho.



Legenda: Gráfico representativo do número de usuários de drogas na Europa, em relação ao número mundial de pessoas que fazem uso contínuo dessas substâncias.

Quanto ao uso de substâncias do grupo anfetamina, observou-se que entre 2001 e 2005, o Brasil superou os índices anteriores em relação à população geral, passando de 1,5% para 3,2%. Isso representa 0,7% em relação à quantidade de usuários na América Latina. A prevalência anual dessa droga na América do Sul continua próxima à da média mundial, com estimativas entre 0,5% e 0,7% da população entre 15 e 64 anos de idade, ou entre 1,34 e 1,89 milhão de pessoas nessa faixa etária que fizeram uso dessas substâncias no ano anterior.



Legenda: Gráfico representativo do número de usuários de drogas na América do Norte, em relação ao número mundial de pessoas que fazem uso contínuo dessas substâncias.

Já o uso de ecstasy, entre estudantes universitários brasileiros na faixa etária entre 18 e 35 anos, foi de 3,9%, excedendo estimativas do UNODC para populações em geral (em torno de 0,2%), segundo pesquisa nacional feita em 2009.

O uso de opioides (principalmente o uso não médico de opioides de prescrição) na América Latina está estimado entre 0,3% e 0,4% da população adulta, ou entre 850 mil e 940 mil pessoas na faixa etária entre 15 e 64 anos. O Estado Plurinacional da Bolívia (0,6%), Brasil (0,5%) e Chile (0,5%) continuam como países com altas taxas de uso desses medicamentos. Na América Central, a taxa da Costa Rica é maior que a média global (2,8%).

Diante deste triste cenário em que pessoas de todas as idades sofrem em decorrência direta e indireta do consumo de drogas, resta apenas o singelo apelo daqueles que de alguma forma foram vítimas das aterradoras consequências do vício. Talvez seja hora de prestarmos mais atenção ao que eles têm a nos dizer.

Confira, também, na nossa Central de Atualidades, a reportagem sobre a droga Óxi.


Por Jaqueline Santos.

Referências

BRASIL TEM 870 mil usuários de cocaína. O Globo. Disponível em: . Acesso em: 26 jun. 2011.

UNODC - ONU. Relatório mundial sobre as drogas 2011. Disponível em: . Acesso em: 26 jun. 2011.

UCHINAKA, Fabiana. Consumo de maconha no Brasil cresce 160% em 4 anos e é o maior da AL, diz ONU. UOL. Acesso em: 26 jun. 2011.

UNODC - ONU. Relatório Mundial sobre as drogas 2011. Panorama Regional. Disponível em: . Acesso em: 26 jun. 2011.

UNIFESP. Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas. Disponível em: . Acesso em: 26 jun. 2011.



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Prevalência: índice de ocorrência de uma doença em uma dada população, por exemplo.

Opioides: remédios para déficit de atenção, analgésicos, drogas de prescrição médica. Opiáceos: drogas derivadas do ópio, como a heroína e a morfina


Fonte:http://blog.educacional.com.br/blog_sociologia/2011/07/29/drogas-uma-sociedade-doente/

Sexualidade na adolescência

Sexualidade na adolescência

No dia 24 de agosto, foi veiculada pela mídia nacional a notícia de que jovens com idades entre 12 e 16 anos matavam aula em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, para consumir drogas e praticar sexo.

Essa notícia vem em consonância com o penúltimo post publicado no blog de Sociologia sobre gravidez na adolescência, no qual levantávamos algumas questões em relação aos direitos e responsabilidades dos jovens de hoje e de “antigamente”.

A polícia de Campo Grande abriu um inquérito para apurar quais eram os estudantes que participavam dos encontros, o que faziam neles e se havia o envolvimento de adultos no caso. Para quem não sabe, a prática de sexo com menores de 14 anos, ainda que consensual, é considerada estupro, e se ocorre com o conhecimento e apoio de adultos, pode ser julgada como prostituição e corrupção de menores.

Apurados os responsáveis pelo Congresso do Bulimento, como se autodenominava o grupo de jovens envolvidos, os menores serão encaminhados para o cumprimento de medidas socioeducativas, e os adultos responderão a processos judiciais pelos crimes relacionados anteriormente.

Contudo, duas questões pairam no ar: como é que se chegou a isso e o que fazer para remediar a situação?


Legenda: Há um tempo, houve quem se escandalizasse com um singelo andar de mãos dadas em público. Aparentemente, tais amarras morais ficaram mais frouxas com a modernidade. Contudo, podemos verificar que na atualidade tem-se confundido liberdade com libertinagem. Por: YAXZONE. Creative Commons. Atribuição 2.0 Genérica (CC BY 2.0).

Esse tipo de acontecimento não é novidade. Em julho deste ano, por exemplo, foi noticiado pelo G1 que alunos de uma escola pública dos EUA filmaram dois estudantes praticando sexo oral dentro da sala de aula, enquanto outros filmavam com seus celulares, tendo, posteriormente, colocado o vídeo no Youtube.

Em 2009, foi noticiado por inúmeros canais de comunicação o vídeo de uma aluna de apenas 13 anos de um colégio público do Paraná no qual ela fazia sexo com outros dois estudantes em um dos banheiros da instituição.

Certamente, podemos apontar em todos esses casos o fato de os pais não saberem ou não se preocuparem em saber com quem os filhos andam, por onde andam e o que fazem. O caso do Paraná e dos EUA é ainda mais grave, pois ocorreram em instituições públicas de ensino.

A escola tem a obrigação de saber o que ocorre sob seu teto: se alguns alunos matam aula, se agridem colegas, se depredam o patrimônio ou consomem drogas. Se a instituição sabe do que ocorre e não notifica os pais prontamente, erra. Se notifica os responsáveis e estes não tomam providências, erra novamente ao não comunicar o conselho tutelar. Por outro lado, se a escola comunica o conselho e este, por sua vez, também não toma as medidas cabíveis, então o cenário de displicência saiu do âmbito paternal, culminando no poder público.

Quando se trabalha com crianças e adolescentes, deve-se permanecer vigilante sob todos os aspectos, porque os adultos nessa relação (pelo menos legalmente) são pais e educadores, e a eles será atribuída a responsabilidade. Além disso, atentar para detalhes comportamentais de crianças e adolescentes pode levar à descoberta de abuso de drogas, violência física e sexual, depressão, entre outros sérios problemas.

Em geral, em situações desse caráter, constatam-se dois indícios: o primeiro deles é a omissão paterna, seja na educação de seus filhos quanto às práticas sexuais, no que se refere às suas implicações na vida desses jovens, seja nas responsabilidades intrínsecas ao ato, tudo isso aliado à ignorância dos responsáveis quanto ao cotidiano de seus filhos, sem preocupar-se em verificar junto à escola a frequência, ou observar o comportamento e companhias deles.

Crianças e adolescentes necessitam de um pai e uma mãe, não de dois irmãos mais velhos ou de um casal de amigos que, por coincidência, moram junto deles. É necessário, sim, impor limites, fiscalizar, acompanhar tudo o que fazem; estabelecer horários, rotinas e responsabilidades a serem cumpridas, senão esses jovens demorarão a compreender o seu papel em sociedade e os reflexos de suas ações e escolhas sobre as vidas dos demais e sobre as suas também. Talvez só o apreendam quando for tarde demais - e uma gravidez na adolescência certamente é um “tarde demais”.



Legenda: Se “antigamente” os jovens eram desde muito cedo treinados para exercerem papéis dentro da sociedade e de sua família, com responsabilidades semelhantes às dos adultos, na atualidade, muitos deles apenas desfrutam os direitos da vida adulta, sem qualquer responsabilidade sobre seus atos. Por: Jason Pratt. Creative Commons. Atribuição 2.0 Genérica (CC BY 2.0).

O segundo indício é o da falha institucional, de diretores e conselheiros que não tomaram o devido conhecimento e as providências quanto a esses fatos. É necessário um trabalho mais próximo entre instituições de ensino e conselho tutelar, para que casos como esses sejam percebidos antes de maiores implicações.

Durante os encontros do Congresso do Bulimento, esses jovens consumiam drogas. Quantos deles já se tornaram dependentes? Aquelas garotas praticavam sexo com diversos parceiros simultaneamente. Quantas delas poderiam ter engravidado ou contraído doenças?

Quanto às medidas para remediar o que ocorreu, será necessário um acompanhamento de perto com psicólogos e médicos, a fim de verificar os danos dessas práticas sobre o organismo desses jovens - tanto quanto ao vício e às DSTs como quanto aos problemas comportamentais e afetivos que possam ter levado a tais práticas -, assim como um intenso trabalho de socialização e educação, para que esses alunos conheçam as consequências de seus atos para além do imediatismo do prazer hedonista.

Talvez o primeiro passo para reverter (ou ao menos amenizar) o quadro de jovens iniciando a vida sexual cada vez mais cedo, com múltiplos parceiros, seja conscientizar as garotas envolvidas quanto aos inúmeros problemas de uma gravidez na adolescência.

Em nosso próximo post, comentaremos alguns índices sobre o assunto. Até lá!

Por Jaqueline Santos

Referências

RAFAEL, Hélder. Polícia diz que oito adolescentes praticavam estupros em MS. G1, Mato Grosso do Sul, 26 ago. 2011. Disponível em: . Acesso em: 5 set. 2011.

MOREIRA, Fernando. Galês é avô aos 29 anos: recorde no Reino Unido. O Globo, 31 jul. 2011. Disponível em: . Acesso em: 5 set. 2011.

BARROS, Márcio. Trio filma sexo no banheiro do Colégio Estadual. Paraná online, 23 set. 2010. Disponível em: . Acesso em: 5 set. 2011.

Fonte:http://blog.educacional.com.br/blog_sociologia/2011/09/13/sexualidade-na-adolescencia/

O que esperar das questões de Filosofia e Sociologia no Enem

O que esperar das questões de Filosofia e Sociologia no Enem

O ensino das disciplinas de Filosofia e Sociologia, vigente durante o período anterior à Ditadura Militar do Brasil e banido da grade curricular do Ensino Médio a partir de 1971, regressou ao currículo em 1999, no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Entretanto, naquela época, as escolas podiam optar pela forma como disponibilizariam as disciplinas ao longo das séries e, por vezes, alternavam entre uma e outra. Elas foram definitivamente incorporadas ao currículo do Ensino Médio, em junho de 2008, com a entrada em vigor da Lei n.º 11.684. A medida tornou obrigatório o ensino das duas disciplinas nas três séries do Ensino Médio, o que incentivou universidades como a Federal do Paraná, entre outras, a adotar a disciplina de Filosofia como avaliação específica de cursos como Direito e Medicina, em seus concursos anuais.

Concomitante a esses fatos, houve a inclusão de Filosofia e Sociologia na Matriz de Habilidades do Enem, tornando, portanto, tais disciplinas integrantes do exame. A Matriz de Habilidades estabelece quais serão os assuntos avaliados e o que se pretende verificar com eles.

Em contrapartida, em 2010 tivemos a adoção em massa de universidades públicas e privadas ao Enem como exame de seleção de seus futuros calouros, através do SiSU - Sistema de Seleção Unificada, atribuindo grande importância para a avaliação. Outras universidades também utilizam o exame como critério de desempate entre candidatos, além de a realização da prova pelo estudante ser exigência de programas de financiamento estudantil como o PROUNI.



LEGENDA: Fachada da Universidade Federal do Paraná. A instituição foi uma das pioneiras na adoção da disciplina de Filosofia nas etapas de seu vestibular. Por: WikiMapa. Atribuição 2.0 Genérica (CC BY 2.0)

Sendo assim, para pleitear uma vaga em renomadas universidades do País, é imprescindível o bom desempenho nesta avaliação. Embora Filosofia e Sociologia possuam um número de questões reduzido - em torno de 10 divididas entre as duas disciplinas -, em virtude da alta relação candidato/vaga decorrente do sistema unificado (que possibilita que candidatos de todo o País disputem vagas em qualquer instituição), toda questão é importante.

Atualmente, essas disciplinas integram a avaliação de Ciências Humanas e suas Tecnologias. A Matriz de Habilidades divide os assuntos a serem aferidos pela prova em “competências”, ou seja, assuntos dos quais o aluno deve ter domínio, subdividindo-os em “habilidades”, que consistem nos temas relacionados àquele assunto. Veja a listagem de competências e habilidades.

Com base nesta listagem, podemos perceber que as habilidades legislam sobre aspectos geográficos, históricos, sociais, culturais, políticos e éticos, sendo os últimos, portanto, as áreas da Filosofia e da Sociologia com as quais se preocupar. Sendo assim, na Filosofia, por exemplo, ficam de fora disciplinas como filosofia da ciência, filosofia da linguagem, metafísica, lógica e outras. Na Sociologia, predominam as questões relacionadas ao tema do trabalho e que versam sobre assuntos políticos e culturais.



LEGENDA: Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - INEP, a segunda etapa do SISU, realizada em fevereiro de 2010, contou com 550.972 mil inscritos. Através do SISU, a avaliação passou a ser a porta de entrada de muitos estudantes ao Ensino Superior. Integram a lista do SISU 83 universidades públicas e privadas.

Para a avaliação de Filosofia, é interessante estudar os estados republicanos gregos, verificando as concepções de justiça e bem em si e a relação destas com a política. Também é importante verificar a relação entre Antiguidade e Renascença sob o âmbito político e ético, assim como as discrepâncias em relação à filosofia escolástica. Verificar a relação entre as teorias liberalistas do século XVII, com as revoluções burguesas e as teorias do socialismo também é um requisito que cobre, inclusive, a avaliação de Sociologia.

É importante conhecer alguns conceitos como mais-valia, lucro, reificação do trabalhador, expropriação dos meios de produção e compreender a relação destes com o socialismo e o capitalismo. Outros conceitos como o de ética, cultura e liberdade também costumam ser bastante explorados. Buscar o significado de liberdade e cultura em autores contemporâneos como Jean-Paul Sartre, Michael Foucault, Theodor Adorno e Max Horkeimer é uma boa dica.

Para a prova de Sociologia, é desejável que o aluno compreenda o que significa trabalho, a sua relação com o desenvolvimento tecnológico, com o advento da forma capitalista de produção, e as implicações dessas relações sob o âmbito social. Compreender qual a relação entre cultura, valores morais, política, assim como as mudanças sofridas por essas instâncias em cada contexto histórico. É importante que o candidato compreenda que o objeto da Sociologia é o homem em sociedade, abordando aspectos como cultura, trabalho, política, educação, religião, etc. a partir das implicações destas sob a forma como a sociedade se organiza.

Em nosso próximo post, faremos uma análise das questões das avaliações de 2009 e 2010 do Enem, comentado-as e dando dicas sobre a sua execução. Enquanto isso, vocês podem acompanhar os posts dos blogs de Filosofia e de Sociologia, cujos textos abordam temas pertinentes aos conteúdos das disciplinas, além de assuntos da atualidade.

Até o próximo post!

Por: Jaqueline Santos

Referências

BRASIL. Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Matriz de Referência para o Enem 2009.

BRASIL. Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Exame Nacional do Ensino Médio 2010. Prova de Ciências Humanas e Suas Tecnologias. 2.ª aplicação.

BRASIL. Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Exame Nacional do Ensino Médio 2010. Prova de Ciências Humanas e Suas Tecnologias. 1.ª aplicação.

BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Disponível em: . Acesso em: 31 maio 2011.

BRASIL. Sistema de Seleção Unificada - SISU. Disponível em: . Acesso em: 31 maio 2011.

Fonte:http://blog.educacional.com.br/blog_do_enem/2011/06/02/o-que-esperar-das-questoes-de-filosofia-e-sociologia-no-enem/#more-850

Sociologia

sociologia

[De soci(o)- + -logia.]
Substantivo feminino.
1. Estudo objetivo das relações que se estabelecem, consciente ou inconscientemente, entre pessoas que vivem numa comunidade ou num grupo social, ou entre grupos sociais diferentes que vivem no seio de uma sociedade mais ampla.
2. Estudo objetivo das relações que surgem e se reproduzem, especificamente, com base na coexistência de diferentes pessoas ou grupos em uma sociedade mais ampla, bem como das instituições, normas, leis e valores conscientes ou inconscientes que essas relações tendem a gerar no seio do grupo.
3. Estudo objetivo das relações sociais, i. e., das relações que só se estabelecem com fundamento na coexistência social, as quais se concretizam em normas, leis, valores e instituições consciente ou inconscientemente incorporadas pelos indivíduos que constituem a sociedade.
4. Tratado ou compêndio de sociologia.
5. Exemplar de um desses tratados ou compêndios.

Sociologia do conhecimento. Análise das condições sociais em que se produzem os conhecimentos.
Sociologia econômica. Estudo das leis, instituições e sistemas econômicos enquanto produtos das relações entre indivíduos que vivem socialmente.
Sociologia vegetal. Fitossociologia.

Fonte:http://www.educacional.com.br/dicionarioaurelio/home.asp?idVerbete=127777

Organização social e política da pólis

Organização social e política da pólis

A partir do século VIII a.C., a organização social e política da Grécia Antiga começou a se desenvolver em torno da pólis, que se constituía em uma unidade política, uma cidade-estado. Cada pólis possuía sua organização interna de forma independente, porém, em algumas delas, as decisões importantes sobre os assuntos públicos dependiam apenas da boa argumentação dos oradores na Ágora1. Para a elaboração de uma boa argumentação era preciso que o orador fizesse bom uso da razão, do logos, da inteligência desvinculada da mitologia. Em boa parte das pólis gregas, as leis eram elaboradas em conjunto e, depois, escritas, ou seja, a vida era regida pelo valor das leis mais do que pela autoridade de um monarca. Em consequência de tal prática, os gregos passaram a se sentir como verdadeiros responsáveis pelo destino da cidade e, paulatinamente, de seu próprio destino. A valorização da argumentação racional e o sentimento de autonomia crescente ajudaram o homem grego a caminhar em direção à filosofia.

1Ágora é o nome dado ao espaço principal de ação social e política na Grécia Antiga. Um tipo de praça pública onde ocorriam os debates sobre assuntos importantes para a cidade.

Fonte:http://www.educacional.com.br/filosofia/#1102

Origem da Filosofia

Origem da filosofia

Introdução

A filosofia surgiu na Grécia, no final do século VII e início do século VI a.C. Para entendermos como um saber racional sobre o sentido da realidade distinta do preconizado pela religião pode se originar entre os gregos, devemos identificar alguns fatores muito importantes. A Grécia Antiga tem muito pouco a ver - geograficamente pelo menos - com a Grécia atual. A bem da verdade, na Antiguidade não existiu uma nação politicamente unificada e denominada como Grécia. O que existiu foi um grande conjunto de colônias gregas espalhadas na Península Balcânica, nas ilhas do mediterrâneo e do Egeu, na Ásia Menor, entre outras localidades. Foi justamente em uma das colônias da Ásia Menor que a filosofia nasceu.

Segundo o filósofo Jacques Maritain, “A Grécia é a única parte do mundo antigo onde a sabedoria do homem encontrou seu caminho (…) a razão humana atingiu a idade de sua força e maturidade. Por esta razão, pois, o pequeno povo grego aparece entre os grandes Impérios do Oriente, como um homem no meio de crianças gigantes”1.

Podemos, sem esgotar o tema, relacionar alguns fatores que ajudam a entender por que a filosofia nasceu na Grécia. São eles:

1MARITAIN, Jacques. Introdução geral à filosofia. Rio de Janeiro: Agir, 1972, p. 33.

Fonte:http://www.educacional.com.br/filosofia/#1103

A dúvida metódica de Descartes

A dúvida metódica de Descartes


Mergulhado em plena atividade intelectual, Descartes concluiu o que suspeitava havia algum tempo, as verdades tradicionais não eram confiáveis porque cada uma utilizava uma fonte diferente, ou seja, um método diferente. Seu objetivo era submeter todas as teorias a um método comum que funcionaria como se fosse uma espécie de ponto de partida, uma régua para avaliar todas as outras coisas ou, ainda, uma espécie de filtro racional.

Descartes permanecia duvidando das teorias existentes, justamente por não encontrar respostas exatas para suas indagações. Assim, buscou encontrar a verdade e a certeza rejeitando como absolutamente falso tudo aquilo em que pudesse imaginar a menor dúvida, a fim de ver se, após isso, não restaria algo que fosse inteiramente indubitável. O filósofo estava obcecado pela dúvida e foi radical ao ponto de duvidar até mesmo das certezas matemáticas, criando assim a chamada dúvida metódica, ou seja, uma técnica que consistia em suspender temporariamente as teorias existentes e submetê-las a um filtro de um método rigoroso. A partir da dúvida metódica, Descartes não mais duvidava por duvidar, mas analisava minuciosamente todas as coisas, a fim de descobrir se nelas havia elementos sobre os quais poderia recair alguma suspeita.

Fonte:http://www.educacional.com.br/filosofia/#1105

Conhecer é saber - Sociologia

http://portaldoprofessor.mec.gov.br

Mitologia Grega

http://portaldoprofessor.mec.gov.br

domingo, 21 de agosto de 2011

Ser Professor no séc. XXI

Quem é o professor do século XXI?

Gilberto  Teixeira  ,Prof.Doutor (FEA/USP)
 
O mundo contemporâneo apresenta mudanças que afetam todos os setores da sociedade, inclusive a educação. Estas mudanças, irreversíveis, estão relacionadas ao desenvolvimento das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), que instituem diferentes concepções de tempo e de espaço e possibilitam ao professor desenvolver novas práticas pedagógicas. É necessário, então, que os professores do século XXI, em primeiro lugar, adquiram fluência tecnológica – vinculada, principalmente, à reflexão e ao uso de ferramentas digitais (para a comunicação e interação) no âmbito educacional e à compreensão da lógica da hipertextualidade característica da Web. A falta de fluência tecnológica cria uma lacuna entre educadores preparados para utilizar mídias digitais, em aulas presenciais e em cursos on-line, e aqueles que não estão habilitados para fazer uso delas.
Os professores precisam adquirir novas competências e habilidades para que os alunos possam aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser – aprendizagens fundamentais salientadas por Delors no Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI (1999). Essas competências e habilidades estão, primordialmente, vinculadas às seguintes esferas: pedagógica (relacionada à utilização de recursos discursivos facilitadores da aprendizagem), gerencial (concernente aos procedimentos estruturais para o desenvolvimento de atividades educacionais) e técnica (ligada à transparência tecnológica do conjunto formado pelo sistema, software e interface selecionados).
A mutabilidade da sociedade em rede implica em um processo constante de releitura das esferas de competências e habilidades e de uma adequada capacitação pedagógica ao longo da carreira docente. Sem capacitação e experiência, os professores continuarão a simplesmente a duplicar suas práticas tradicionais na Internet e não se beneficiarão adequadamente das novas mídias. Em muitos casos, os professores acreditam que atividades utilizadas em sala de aula presencial podem ser transferidas para os VLEs (Virtual Learning Environments – Sistemas de Gerenciamento de Aprendizagem) sem nenhuma adequação. Entretanto, isso não é possível, uma vez que cada mídia digital exige uma abordagem diferenciada para sua utilização.
Grande parte da literatura a respeito da capacitação do professor on-line se refere à utilização da tecnologia per se, manuais de ensino e listas de requisitos para a criação de tutoriais disponibilizados na Web. Contudo, a verdadeira revolução que está ocorrendo no campo da educação on-line é marcada pelo novo papel do professor. Este assume a função de orientador que auxilia e incentiva os alunos a pesquisar, selecionar e organizar as informações, gerenciar o tempo / estudos e a construir o conhecimento de forma autopoiética.
As mudanças em nossa sociedade e os avanços tecnológicos apresentados neste ensaio mostram a necessidade de uma reestruturação da prática de ensino, implementada por uma reflexão crítica sobre o trabalho do professor em sala de aula e em ambientes digitais. Este trabalho está ligado ao desenvolvimento de novas competências que devem ser priorizadas em estudos acadêmicos e incorporadas ao currículo escolar de qualquer instituição que oferece cursos para a formação de professores. Somente através dessa perspectiva é possível instituir um novo paradigma educacional.
O maior desafio da educação e do professor na contemporaneidade é, mais do que nunca, articular as experiências e conhecimentos prévios dos alunos e propiciar o desenvolvimento da autonomia discente de forma a constituir uma inteligência coletiva (Pierre Lévy) que promova a democratização do conhecimento e exercício pleno da cidadania.